A Uber contratou bancos para organizar sua estreia no mercado de títulos em euro e iniciou conversas com investidores. A possível emissão, dividida em cinco vencimentos, ocorre enquanto companhias americanas ampliam o uso da dívida europeia para financiar suas operações.
O que aconteceu
A Uber fará reuniões com investidores em 7 e 8 de setembro, antes de uma possível oferta de títulos em euro com vencimentos de três, seis, oito, 12 e 20 anos. Os papéis terão taxa fixa. Goldman Sachs, BNP Paribas, Bank of America, Deutsche Bank e Morgan Stanley foram contratados como coordenadores da operação. A empresa ainda não informou o volume total nem os custos da emissão. A iniciativa ocorre em um momento de forte atividade de companhias americanas no mercado europeu: as chamadas emissões reverse yankee — dívida em euro levantada por empresas dos Estados Unidos — somaram quase €125 bilhões em vendas de companhias e instituições financeiras no ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Por que isso importa
A operação conecta duas tendências. De um lado, empresas de tecnologia dos Estados Unidos vêm buscando investidores europeus para levantar recursos em euro; do outro, a Uber amplia sua presença no continente. Neste ano, a companhia concordou em comprar a plataforma de entrega de alimentos Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões, enquanto o conselho da empresa alemã votou a favor da oferta. A Uber também firmou parceria com a britânica Wayve para oferecer, pelo aplicativo, serviços de transporte sem motorista em Londres. O desenho da emissão sugere que a companhia pretende acessar diferentes perfis de prazo no mercado europeu.
O que deve ser observado
Os próximos pontos são a confirmação da oferta, o volume captado, a precificação de cada vencimento e a demanda dos investidores. Também será relevante observar se a operação avançará com os cinco prazos previstos ou se a estrutura será ajustada durante o processo de distribuição. A evolução da compra da Delivery Hero e da parceria com a Wayve permanece ligada ao contexto de expansão europeia da Uber.
A possível estreia em euro mostra como o mercado de dívida pode acompanhar movimentos estratégicos de expansão e aquisições. Para a Uber, a operação combina acesso a uma nova base de investidores com uma estrutura de vencimentos distribuída ao longo de duas décadas. Para o mercado, o caso reforça a presença de empresas americanas em uma praça que já registra volume recorde de emissões reverse yankee. O fato, porém, ainda é uma preparação: sem volume, preço e conclusão definidos, não há como medir o impacto financeiro final da captação.
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