O Reino Unido produz startups tecnológicas de alto potencial, mas enfrenta dificuldades para mantê-las em sua trajetória de crescimento. O problema combina escassez de capital em rodadas maiores, infraestrutura limitada e a força de atração do mercado americano.
O que aconteceu
Mais de 2.000 spinouts universitárias — empresas criadas para transformar descobertas acadêmicas em negócios — surgiram no Reino Unido desde 2010. Ainda assim, manter essas companhias no país é difícil. Quando as rodadas superam cerca de £30 milhões, investidores americanos costumam oferecer cheques maiores, mas frequentemente exigem que ao menos parte da empresa seja transferida para os Estados Unidos. A mudança pode facilitar novas captações, futuras ofertas públicas e o acesso ao maior mercado de receita para muitas tecnologias. A Arm Holdings aparece como símbolo dessa inovação móvel, embora não seja propriamente uma spinout universitária.
Por que isso importa
A localização das startups influencia onde ficam empregos, propriedade intelectual, capacidade produtiva e os ganhos econômicos de tecnologias desenvolvidas no país. A pressão não se limita ao dinheiro: empresas de tecnologia encontram nos Estados Unidos acesso mais fácil a chips, servidores e energia, enquanto companhias de biotecnologia valorizam um ambiente regulatório alinhado ao mercado americano. Para o Reino Unido, o desafio é transformar pesquisa de qualidade em empresas que consigam escalar sem deslocar parte relevante de sua atividade.
O que deve ser observado
A resposta britânica passa por ampliar o capital disponível por meio de instituições estatais, incluindo o British Business Bank, e por atrair investidores de venture capital. O financiamento desse segmento caiu para £1,3 bilhão no ano passado, o menor nível no período pós-pandemia, mas a Royal Academy of Engineering prevê uma recuperação a patamares recordes neste ano. Também será importante observar se custos menores de laboratórios e a força acadêmica compensarão as vantagens americanas.
O caso mostra que criar inovação e capturar seu valor são etapas diferentes. O Reino Unido ainda dispõe de vantagens concretas: laboratórios podem custar cerca de metade do preço praticado em polos como Boston e o Vale do Silício, além de haver talento acadêmico relevante. Mas essas vantagens precisam ser acompanhadas por capital e infraestrutura compatíveis com a escala das empresas. Segundo a fonte, muitos fundadores permanecem no país mesmo após venderem no exterior; isso sugere que a retenção depende menos de impedir conexões globais e mais de permitir que o crescimento aconteça a partir do Reino Unido.
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