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Economias ricas entram no mapa de risco e a pressão pode atravessar fronteiras

O risco fiscal global mudou de endereço: Estados Unidos, países europeus e Japão enfrentam juros em máximas de décadas, inflação pressionada pela energia e dívidas historicamente elevadas.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

O risco fiscal global mudou de endereço: Estados Unidos, países europeus e Japão enfrentam juros em máximas de décadas, inflação pressionada pela energia e dívidas historicamente elevadas.

O que aconteceu

O Fundo Monetário Internacional chega às reuniões anuais com foco renovado nos países desenvolvidos. O aumento dos custos de financiamento, impulsionado pela inflação e pelo petróleo próximo de US$ 100 por barril, encarece a rolagem de dívidas já elevadas e pode formar um ciclo de juros maiores, déficits mais amplos e novas necessidades de empréstimo. No último mês, o rendimento médio dos títulos públicos de dez anos do G7 atingiu 4,3%, o maior nível desde 2008. Esses governos já desembolsam mais de US$ 3,3 trilhões por ano em juros, acima dos gastos globais com defesa ou inteligência artificial, segundo a Bloomberg. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, colocou dívida, energia e o impacto desigual da inteligência artificial entre os temas centrais dos encontros em Bangkok.

Por que isso importa

Quando os juros sobem no núcleo do sistema financeiro, o efeito pode alcançar consumidores, empresas e governos de outros países. Economias emergentes podem ser pressionadas a elevar suas próprias taxas para conter saídas de capital, enquanto investidores reduzem posições em títulos mais arriscados. Até agora, o impacto sobre esses mercados foi descrito como limitado, em parte porque vários países reforçaram reservas, regras bancárias e posições fiscais após crises anteriores. O problema também é político: contas de juros maiores reduzem o espaço para medidas de alívio do custo de vida. Um índice citado pela fonte aponta deterioração mais intensa do risco de instabilidade civil na Europa, com Estados Unidos e Canadá também apresentando deterioração relevante.

O que deve ser observado

O mercado deve acompanhar a trajetória do petróleo, as decisões do Federal Reserve e do Banco do Japão e a evolução dos rendimentos dos Treasuries e de outros títulos soberanos. Também importa observar se a inflação recua quando os preços de energia estabilizarem, como esperam alguns economistas, ou se o serviço da dívida continuará alimentando a alta dos juros. Protestos na França e a reação de investidores a novas emissões de dívida completam o radar de curto prazo.

LEITURA ARK

A mudança mais relevante não é a existência de dívida elevada, mas a combinação entre refinanciamento caro, energia pressionada e menor espaço orçamentário. O cenário ainda divide economistas: alguns veem um ciclo fiscal perigoso; outros atribuem a alta dos rendimentos principalmente ao petróleo e à política monetária. Para decisões financeiras, o ponto central é acompanhar a interação entre esses fatores, sem tratar o aumento do risco como sinônimo automático de crise.