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A divisão do Ocidente sobre Putin abre três caminhos para a guerra na Ucrânia

A resposta ocidental à Rússia deixou de ser apenas uma questão de pressão conjunta. Três correntes disputam o rumo das negociações sobre a Ucrânia — e cada uma parte de uma avaliação diferente sobre o que Putin quer e pode aceitar.

Fonte utilizadaFinancial Times ↗

A resposta ocidental à Rússia deixou de ser apenas uma questão de pressão conjunta. Três correntes disputam o rumo das negociações sobre a Ucrânia — e cada uma parte de uma avaliação diferente sobre o que Putin quer e pode aceitar.

O que aconteceu

De acordo com o texto do Financial Times, três abordagens se consolidaram no Ocidente. Steve Witkoff e Jared Kushner defendem pressionar a Ucrânia a ceder território e associam um eventual acordo a oportunidades de negócios entre Estados Unidos e Rússia. O presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, apoiam a Ucrânia, mas querem que os europeus retomem participação direta no diálogo com Moscou. Já Polônia e países bálticos consideram que conversar com Putin é inútil e contraproducente. Stubb e Støre falaram com Putin por 90 minutos e discutiram possíveis medidas de confiança, como cessar-fogos parciais para proteger energia e alimentos, além de trocas de prisioneiros. Uma reunião entre russos, ucranianos e americanos é prevista em Abu Dhabi ou outro local.

Por que isso importa

A divergência afeta tanto a diplomacia quanto a definição do objetivo da guerra. Para a corrente que defende a derrota estratégica da Rússia e o colapso do regime de Putin, negociar antes disso pode enfraquecer a segurança europeia. Para Stubb e Støre, essa meta é improvável e pode prolongar custos elevados para a Ucrânia, além de não oferecer uma visão clara para o período posterior ao conflito. O texto também questiona a premissa de que benefícios econômicos levariam Putin a aceitar a paz: a avaliação apresentada é que as motivações russas não são essencialmente econômicas.

O que deve ser observado

O principal ponto de atenção é se Washington continuará dominando o contato com Moscou ou se Alemanha, França, Reino Unido, União Europeia e possivelmente Itália ganharão espaço. Também será relevante observar se Putin aceitará conversas diretas com Volodymyr Zelenskyy, condição que ele teria vinculado à proximidade de um acordo final. No curto prazo, a proteção da infraestrutura energética e da indústria ucraniana permanece central.

LEITURA ARK

O impasse mostra que a unidade ocidental não depende apenas de concordar sobre o apoio à Ucrânia, mas também de definir o que seria um resultado aceitável. As três estratégias carregam riscos: concessões podem ser vistas como incentivo à pressão russa; a busca por derrota estratégica não apresenta um desfecho convincente; e o diálogo pode superestimar a disposição de Putin para negociar. A disputa, portanto, é também sobre quem controlará o desenho do pós-guerra.