Dois anos após a campanha que prometeu “nenhuma guerra” e nenhuma inflação, o governo Donald Trump apresenta resultados desiguais: avançou no controle da fronteira, mas não entregou metas econômicas centrais e enfrenta mudança nas expectativas para o Senado.
O que aconteceu
A análise contrapõe as principais promessas de Trump aos resultados observados. A inflação permanece elevada, pressionada pela guerra com o Irã, pelas tarifas adotadas pelo presidente e por uma economia aquecida pelo boom de inteligência artificial. O preço da gasolina ficou acima do objetivo de US$ 2 por galão, enquanto as taxas de hipoteca permanecem aproximadamente duas vezes superiores aos 3% mencionados por Trump. Na fronteira com o México, a política foi mantida: as entradas ilegais caíram para 8.870 em agosto, ante 47.320 em dezembro de 2024 e 250 mil em dezembro de 2023. Deportações aumentaram e a construção do muro foi retomada. No campo eleitoral, mercados de apostas passaram a refletir melhor a vantagem democrata em disputas para o Senado.
Por que isso importa
O contraste mostra que o desempenho político de Trump não pode ser resumido a uma única narrativa. A agenda de segurança na fronteira produziu uma queda expressiva nas travessias registradas, mas as promessas econômicas mais visíveis continuam distantes dos parâmetros apresentados na campanha. Essa diferença pode influenciar a disputa eleitoral. Em sete corridas consideradas mais competitivas para o Senado, plataformas de previsão apontavam democratas como favoritos em cinco e projetavam 52 das 100 cadeiras para o partido. Ainda assim, os mercados permanecem mais cautelosos que as pesquisas, e seu histórico inclui erros relevantes em disputas decisivas.
O que deve ser observado
O ponto central será saber se a persistência da inflação, dos custos de energia e das hipotecas terá peso maior que os resultados na fronteira. Também merece atenção a distância entre pesquisas e mercados de previsão nas corridas de Texas, Iowa e Kansas. Em Texas, James Talarico passou de azarão a favorito nas plataformas Polymarket e Kalshi, com probabilidades de vitória de 68% e 67%, respectivamente.
A leitura mais útil é de resultados assimétricos: uma promessa específica, a redução das entradas na fronteira, mostra avanço mensurável; metas econômicas de forte apelo ao eleitor continuam sem confirmação equivalente. Para os mercados, a consequência é que a avaliação política pode se deslocar conforme os eleitores priorizem inflação e custo de vida ou segurança e imigração. As probabilidades eleitorais ajudam a acompanhar expectativas, mas não substituem a incerteza própria das urnas.
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