O ouro avançou e recuou ao longo do dia enquanto investidores avaliavam sinais de possível retomada das hostilidades no Oriente Médio e as perspectivas para os juros do Federal Reserve. A combinação manteve o metal volátil e deixou o mercado atento à reunião do banco central na próxima semana.
O que aconteceu
O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou a saída de funcionários governamentais não essenciais e familiares da Arábia Saudita, informou o porta-voz Tommy Pigott. Uma reportagem da Reuters havia indicado uma ordem mais ampla para a região do Golfo, sinalizando possível escalada envolvendo o Irã e milícias houthis alinhadas a Teerã no Iêmen. Os rendimentos dos Treasuries reduziram ganhos, enquanto o Brent permaneceu acima de US$ 109 por barril. O ouro à vista chegou a subir 0,2%, para US$ 4.133,90 por onça, às 16h04 em Nova York. A prata recuou 0,07%, para US$ 57,90, e platina e paládio também caíram.
Por que isso importa
O movimento mostra como o ouro está sendo influenciado simultaneamente pelo risco geopolítico e pela trajetória esperada dos juros americanos. O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no fim de fevereiro, interrompeu o fornecimento de energia e contribuiu para a alta dos preços, elevando a inflação e levando bancos centrais a apertar a política monetária. Como o ouro não paga juros, taxas mais altas tendem a reduzir sua atratividade. O metal acumula queda de cerca de um quinto desde o início do conflito.
O que deve ser observado
Os operadores têm poucas informações novas antes da reunião do Federal Reserve na próxima semana. Em discurso realizado antes do período de silêncio do banco central, o presidente Kevin Warsh não afastou a expectativa de manutenção dos juros. Os swaps indicam probabilidade de cerca de 15% para uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima decisão, mas aproximadamente 90% para outro aumento ainda neste ano. A inflação permanece acima da meta de 2%.
O mercado está precificando um conflito entre duas forças: tensões no Oriente Médio podem sustentar petróleo e incerteza, enquanto energia mais cara dificulta a tarefa do Federal Reserve. Para o ouro, esse quadro não produz uma direção única. O ativo pode reagir ao risco geopolítico, mas também sofre quando a inflação reforça a perspectiva de juros elevados. A próxima reunião do Fed e novos sinais sobre o conflito devem ajudar a definir qual desses vetores terá maior peso no curto prazo.
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