A Nvidia autorizou mais US$ 150 bilhões em recompras de ações, elevando o programa total para US$ 230 bilhões. A decisão ocorre enquanto a companhia cresce com a demanda por chips para inteligência artificial, mas negocia a um múltiplo considerado comprimido diante das expectativas de lucro.
O que aconteceu
O novo montante foi anunciado na segunda-feira, além de um plano de recompra de US$ 80 bilhões já existente. A ação da Nvidia subiu quase 2% no dia e acumula alta de 23% no ano, superando o Nasdaq, embora não acompanhe o ritmo projetado para os resultados. Para o ano fiscal de 2028, que começa em fevereiro, o índice preço/lucro estimado está em 14,5. Analistas esperam lucro líquido próximo de US$ 385 bilhões nesse período, 60% acima do ano anterior e mais de cinco vezes superior ao registrado três anos antes. A empresa já havia sinalizado a intenção de devolver cerca de metade do fluxo de caixa livre aos investidores por meio de recompras.
Por que isso importa
A recompra reduz a quantidade de ações em circulação quando executada, o que pode elevar a participação relativa dos acionistas remanescentes e contribuir para o lucro por ação. A UBS estima que o programa acrescente US$ 0,08 ao lucro por ação da Nvidia em 2027, cuja projeção é de US$ 17,16. O movimento também comunica que a administração considera a ação subavaliada. Segundo Karan Ramchandani, da Post Oak Group, a autorização representa uma mensagem clara nessa direção. A questão central é se o mercado está descontando adequadamente a desaceleração futura do crescimento.
O que deve ser observado
O foco passa para a execução da recompra, a evolução da quantidade de ações e o efeito sobre o lucro por ação. A Nvidia afirmou que espera manter o crescimento até o início de 2028. Também será importante acompanhar se a geração de caixa continuará forte o suficiente para sustentar o retorno de capital e se a demanda por GPUs usadas na construção e operação de modelos e serviços de inteligência artificial preservará as projeções de lucro.
A Nvidia combina crescimento operacional expressivo com uma política mais agressiva de retorno de capital. Esse contraste ajuda a explicar o debate atual: a empresa tenta reforçar o valor por ação enquanto o mercado questiona quanto tempo o ritmo excepcional de expansão pode durar. A recompra pode apoiar métricas por ação, mas não elimina o risco de uma desaceleração dos resultados. Para a leitura do mercado, o próximo teste será a conversão da demanda por inteligência artificial em lucro e fluxo de caixa recorrentes.
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