Jensen Huang, CEO da Nvidia, defendeu a saúde financeira da CoreWeave após uma forte queda nas ações e nos títulos da fornecedora de computação para inteligência artificial. O apoio ajudou a reverter perdas, mas não eliminou os sinais de estresse no crédito.
O que aconteceu
Huang afirmou em Estocolmo que a força da CoreWeave melhora diariamente e que o custo de capital da empresa está diminuindo. As ações subiram 5,9% na quinta-feira, fechando a US$ 69,69, depois de terem registrado a maior queda desde fevereiro no pregão anterior. Apesar da recuperação, os títulos da companhia eram negociados em níveis considerados profundamente depreciados. A dívida com vencimento em 2032 estava cotada a cerca de 78 centavos por dólar, ante o valor de face pago por investidores quatro meses antes. O custo de proteção contra calote em cinco anos avançou até 74,5 pontos-base, para 1.194,5 pontos-base, nível intradiário recorde. Os swaps indicavam probabilidade superior a 60% de inadimplência no período.
Por que isso importa
A CoreWeave se tornou um teste para o modelo de empresas que ampliam rapidamente a capacidade de computação para atender à demanda por inteligência artificial usando dívida elevada. A companhia tem mais de US$ 40 bilhões em obrigações, com grande parte vencendo nos próximos cinco anos, enquanto o serviço da dívida consome caixa e o fluxo de caixa livre se torna cada vez mais negativo. Estimativas de Wall Street apontam perdas superiores a US$ 2,5 bilhões neste ano. A Nvidia é cliente, investidora e segunda maior acionista da CoreWeave, com participação de aproximadamente 10%, o que torna suas declarações especialmente relevantes para a percepção de risco.
O que deve ser observado
O mercado deve acompanhar a capacidade da CoreWeave de refinanciar seus compromissos, reduzir o consumo de caixa e transformar o crescimento de receita em retorno financeiro. As projeções indicam vendas de US$ 12,9 bilhões neste ano, com mais que o dobro no próximo. Também merece atenção a reação de outras empresas de infraestrutura de IA e dos fornecedores que ajudam a financiar sua expansão.
O episódio contrapõe duas leituras: a Nvidia vê melhora operacional e queda no custo de capital, enquanto os mercados de dívida continuam sinalizando risco elevado. Para a tese de expansão da infraestrutura de IA, o ponto central não é apenas o crescimento da demanda, mas sua conversão em fluxo de caixa suficiente para sustentar o endividamento. A divergência entre ações e crédito permanece o principal alerta.
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