A Microsoft desistiu de um acordo para um data center da Nscale em Loughton, no Reino Unido, criando um novo obstáculo para a neocloud britânica justamente quando ela tenta preparar uma oferta pública inicial de até US$ 3 bilhões.
O que aconteceu
A Nscale afirmou que a Microsoft deixou o projeto em Essex, que enfrentava atrasos relacionados a restrições de energia. A empresa não informou o motivo específico da decisão. O local seria o primeiro data center britânico da Nscale e teria a Microsoft como principal locatária. A companhia disse que continua comprometida com o projeto, avalia fontes alternativas de energia e mantém outros planos de expansão no Reino Unido. Segundo a Bloomberg, a Microsoft não comentou. O episódio se soma a problemas operacionais na unidade principal da Nscale, na Noruega, onde 6,4 megawatts de uma capacidade planejada de 30 megawatts estão em funcionamento, com atraso de seis meses.
Por que isso importa
A retirada atinge a Nscale em um momento sensível. A empresa depende da Microsoft e da Anthropic para cerca de 85% de seus contratos, segundo seu documento de IPO, o que torna a concentração de clientes um fator relevante para investidores. A companhia também tenta captar até US$ 3 bilhões em uma oferta que pode ocorrer ainda neste mês, enquanto o mercado demonstra maior cautela com fornecedores de computação para inteligência artificial. O setor precisa financiar uma expansão de data centers que envolve dezenas de bilhões de dólares em dívidas para empresas e clientes.
O que deve ser observado
Os próximos pontos são a busca da Nscale por alternativas de energia para Loughton, a evolução do projeto norueguês e a manutenção de seus contratos com Microsoft e Anthropic. Também merece atenção a recepção dos investidores ao IPO, em um ambiente que inclui a queda semanal de 25% das ações da CoreWeave e o cancelamento da oferta da australiana Firmus.
O caso expõe a dependência entre demanda por inteligência artificial, disponibilidade de energia e financiamento. Para a Nscale, perder a Microsoft como locatária âncora aumenta a importância de provar que seus projetos podem avançar no prazo e que sua base contratual é suficientemente resiliente. A reação ao IPO ajudará a indicar quanto o mercado ainda aceita pagar por essa expansão.
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