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Meta capta US$ 25 bilhões, mas paga mais para financiar sua corrida pela IA

A Meta Platforms levantou US$ 25 bilhões em títulos de dívida em uma janela incomum: o dia da eleição nos Estados Unidos. A operação foi concluída, mas com custo maior e em um ambiente mais exigente para o crédito de tecnologia.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A Meta Platforms levantou US$ 25 bilhões em títulos de dívida em uma janela incomum: o dia da eleição nos Estados Unidos. A operação foi concluída, mas com custo maior e em um ambiente mais exigente para o crédito de tecnologia.

O que aconteceu

A companhia decidiu vender os títulos em 3 de novembro, enquanto investidores acompanhavam as eleições legislativas americanas, e concluiu uma emissão em euros no dia seguinte. A estratégia ajudou a viabilizar o financiamento de seus investimentos em inteligência artificial, após a empresa ter ficado fora do mercado durante um período de silêncio antes dos resultados. A operação em dólar teve cinco tranches; o título com vencimento em 2056 foi precificado com prêmio de 2,2 pontos percentuais sobre os Treasuries, quase 0,9 ponto acima de uma emissão comparável da Meta em abril. Na Europa, a empresa captou mais € 9 bilhões após receber € 53 bilhões em ordens. A Meta também havia levantado US$ 25 bilhões em ações e US$ 12,5 bilhões em ações preferenciais.

Por que isso importa

A emissão ocorre enquanto gestores demonstram maior cautela com o volume de dívida vendido pelas chamadas hyperscalers, grandes empresas de tecnologia que operam infraestrutura de nuvem e inteligência artificial. O mercado quer entender quando os investimentos em data centers começarão a gerar receita e fluxo de caixa livre. A Oracle, por exemplo, precisou pagar 0,35 ponto percentual acima dos níveis de sua dívida existente em uma emissão de US$ 10 bilhões. A S&P Global Ratings também revisou para negativa a perspectiva do rating AA- da Meta, citando incertezas sobre os gastos elevados e seu efeito sobre a alavancagem.

O que deve ser observado

O foco estará no custo das próximas captações de empresas de tecnologia, no tamanho das ofertas e na reação dos investidores a novos projetos de inteligência artificial. Também merece atenção o impacto de eventuais restrições locais sobre data centers nos Estados Unidos. A Meta informou que não pretende voltar ao mercado de dívida sem garantia antes, pelo menos, do segundo trimestre do próximo ano.

LEITURA ARK

A operação sugere uma mudança no equilíbrio entre ambição tecnológica e disciplina financeira. A Meta ainda encontrou demanda expressiva, especialmente na emissão em euros, mas precisou oferecer um prêmio maior e explicar como a IA poderá gerar retorno. Para o mercado, o volume de capital disponível não elimina a necessidade de justificar o uso desse capital.