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Mercados emergentes avançam com aposta em pausa do Fed, mas riscos continuam à vista

Ações e moedas de mercados emergentes subiram nesta sexta-feira, apoiadas pela redução das apostas em uma alta de juros do Federal Reserve neste mês. O movimento, porém, foi desigual: petróleo, política local e preocupações com investimentos em inteligência artificial limitaram a recuperação.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

Ações e moedas de mercados emergentes subiram nesta sexta-feira, apoiadas pela redução das apostas em uma alta de juros do Federal Reserve neste mês. O movimento, porém, foi desigual: petróleo, política local e preocupações com investimentos em inteligência artificial limitaram a recuperação.

O que aconteceu

O índice acionário de mercados emergentes da MSCI avançou cerca de 0,8%, enquanto o dólar ampliou perdas e os rendimentos dos Treasuries recuaram. O won sul-coreano e o real brasileiro lideraram os ganhos entre as moedas de países em desenvolvimento. Já Chile e Peru perderam força com o Brent perto de US$ 110 por barril, maior nível desde maio, afetando importadores de petróleo. Os investidores reduziram as apostas em uma alta de juros do Fed depois de o presidente Kevin Warsh não afastar a expectativa de manutenção das taxas. Na Ásia, o recuo das ações ligadas à inteligência artificial perdeu intensidade. Ainda assim, o índice acionário amplo de emergentes registrou sua pior semana em sete meses.

Por que isso importa

O episódio mostra como os mercados emergentes seguem sensíveis simultaneamente ao dólar, à política monetária americana e à percepção de risco em setores globais. A melhora das condições financeiras dos Estados Unidos favoreceu o câmbio emergente, mas não eliminou fragilidades específicas. O real subiu no dia, porém acumulava queda semanal de 1,5% diante da disputa eleitoral brasileira. O peso mexicano caminhava para a sexta semana consecutiva de perdas, com menor atratividade de sua estratégia de carregamento. Na Indonésia, a possibilidade de perda do status de mercado emergente provocou forte queda de ações e moeda.

O que deve ser observado

O mercado deve acompanhar se o dólar mais fraco e os menores rendimentos dos Treasuries persistirão na próxima semana. Também estarão no radar a trajetória do Brent, a disputa política no Brasil e a posição dos investidores sobre o peso mexicano. Na Indonésia, a avaliação da MSCI sobre o status do país pode influenciar fluxos de capital. A organização também ampliou a análise do mercado acionário turco, que já recuou cerca de 11% no último mês.

LEITURA ARK

A recuperação desta sexta-feira não representa um movimento uniforme entre os emergentes. Ela combina um alívio vindo dos Estados Unidos com riscos domésticos e setoriais que continuam ativos. A reação dos mercados sugere que o próximo passo dependerá menos de uma manchete isolada e mais da duração das condições favoráveis: dólar, juros americanos, petróleo e a distinção entre empresas de inteligência artificial financiadas por caixa ou por dívida. O quadro permanece de ganhos seletivos, não de melhora ampla.