Após semanas de vendas intensas, o mercado de títulos governamentais busca sinais capazes de interromper a deterioração. Petróleo, inflação, atividade econômica e decisões de juros estarão no centro da atenção dos investidores.
O que aconteceu
Segundo o Financial Times, os investidores acompanham o petróleo porque a alta da commodity ampliou os temores de inflação. O Brent chegou a ficar abaixo de US$ 100 após o acordo do G7 para liberar reservas de petróleo bruto e diesel, mas voltou para perto de US$ 102. Nos Estados Unidos, dados de emprego mais fracos que o esperado inicialmente fizeram o rendimento do Treasury de dez anos cair a 5,16%, antes de retornar para aproximadamente 5,28%; no fim de junho, estava em 4,42%. O mercado futuro passou a precificar apenas 20% de chance de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em 28 de outubro. Na Europa, preocupações fiscais na França continuam influenciando os títulos da zona do euro.
Por que isso importa
O rendimento dos títulos se move em sentido contrário ao preço: quando os papéis são vendidos, seus rendimentos sobem. Por isso, dados que reduzam as expectativas de inflação ou de novas altas de juros podem ajudar a recompor preços e demanda. O contrário também é possível. A pesquisa de confiança da Universidade de Michigan ganhou importância como indicador das expectativas de inflação: em setembro, a leitura final mostrou confiança no menor nível em quatro meses e expectativas de inflação no maior patamar desde maio, movimento seguido por forte alta dos rendimentos dos Treasuries. Déficits públicos persistentes seguem como outro foco de preocupação.
O que deve ser observado
A prévia de outubro da pesquisa da Universidade de Michigan será divulgada na sexta-feira, com expectativa de confiança mais fraca que em setembro. No Reino Unido, o índice de preços de imóveis da Lloyds, na quarta-feira, e a pesquisa da Royal Institution of Chartered Surveyors, na quinta-feira, devem indicar os efeitos dos juros hipotecários elevados sobre preços, vendas, demanda e aluguéis. O mercado também precifica cerca de 90% de chance de alta de 0,25 ponto percentual pelo Banco da Inglaterra em novembro.
A recuperação do mercado não depende de um único dado. O pacote de informações aponta para uma disputa entre dois vetores: energia e inflação, de um lado; sinais de desaceleração econômica e menor pressão sobre juros, de outro. Enquanto o petróleo permanecer elevado e os déficits continuarem sem resposta clara, a demanda por títulos pode seguir vulnerável. Para o investidor, o principal ponto é observar como cada nova divulgação altera simultaneamente inflação, juros e rendimentos.
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