A alta dos rendimentos dos Treasuries está levando gestores a reduzir posições nos títulos mais arriscados de mercados emergentes. O movimento ocorre após um período de forte desempenho, mas encontra valuations elevados e spreads próximos das mínimas desde 2007.
O que aconteceu
Investidores de gestoras como Aegon USA Investment Management, Neuberger Berman e JPMorgan Asset Management diminuíram a exposição a dívidas de maior risco, especialmente em mercados de alto rendimento. Jeff Grills, da Aegon, reduziu posições na Colômbia e priorizou emissores com classificação mais alta, como Indonésia, Arábia Saudita e Filipinas. Na Neuberger Berman, houve cortes em títulos do Equador, da República Dominicana e da Zâmbia. Segundo a Bloomberg, os títulos emergentes denominados em dólar ainda acumulam retorno de 1,4% em 12 meses, enquanto os spreads sobre os Treasuries estão em 170 pontos-base, o menor nível desde 2007.
Por que isso importa
A combinação de rendimentos americanos mais altos e spreads estreitos reduz a margem de proteção da dívida emergente contra um novo choque global de juros. A inflação persistente e a economia americana resistente elevaram as taxas dos Treasuries, enquanto investidores passaram a considerar uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Mesmo assim, os títulos emergentes em dólar mantiveram ganhos, o que torna suas avaliações mais exigentes. O fluxo também começou a sinalizar cautela: o maior ETF de dívida emergente em moeda forte registrou uma das maiores saídas diárias desde março na semana passada.
O que deve ser observado
O mercado deve acompanhar se os spreads continuarão se ampliando e se a alta dos juros americanos provocará novas saídas de fundos. Gestores também estão migrando para emissores de melhor qualidade, alongando duration em créditos investment grade ou deslocando parte do risco para títulos em moeda local. Essa última categoria acumula alta média de 0,9% no ano.
O episódio mostra uma mudança de composição, não necessariamente uma fuga completa dos mercados emergentes. Parte dos gestores está reduzindo crédito de alto rendimento e buscando emissores mais robustos, enquanto outros preferem dívida em moeda local. Para a leitura de mercado, o ponto central é a sensibilidade desses ativos ao nível dos juros americanos: quando o retorno dos Treasuries sobe, spreads muito comprimidos deixam menos espaço para absorver novas pressões.
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