A inflação da Nova Zelândia deve desacelerar levemente no terceiro trimestre, mas petróleo mais caro e uma moeda enfraquecida podem provocar nova aceleração até dezembro. O cenário aumenta a pressão para que o banco central retome as altas de juros já na reunião de 28 de outubro.
O que aconteceu
A mediana de uma pesquisa da Bloomberg com 16 economistas aponta alta anual de 3,8% no índice de preços ao consumidor no terceiro trimestre, abaixo dos 4,1% registrados no segundo. O resultado ainda ficaria ligeiramente abaixo da projeção do Reserve Bank of New Zealand (RBNZ). Para o último trimestre, porém, economistas esperam aceleração para até 4,7%, ante estimativa de 3,9% do banco central. O dólar neozelandês está cerca de 4% abaixo do nível médio considerado pelo RBNZ para o quarto trimestre, enquanto os preços globais do petróleo subiram e levaram a gasolina local acima dos picos de abril. A precificação de mercado elevou de 56% para 81% a probabilidade de uma alta em outubro.
Por que isso importa
O cenário pode alterar a trajetória da política monetária em um momento em que o RBNZ havia indicado que poderia pausar para avaliar os efeitos de duas altas consecutivas no terceiro trimestre. Uma elevação de 25 pontos-base levaria a Official Cash Rate a 3%. Também há cerca de 50% de probabilidade, segundo os dados de swaps, de outra alta em dezembro. A inflação projetada por alguns economistas poderia permanecer acima do intervalo de 1% a 3% do banco central até o fim do próximo ano, dificultando a convergência à meta.
O que deve ser observado
Os próximos dados de inflação, a decisão do RBNZ em 28 de outubro e a comunicação de seus dirigentes serão os principais pontos de atenção. O banco central só deve divulgar novas projeções completas em dezembro, mas seu economista-chefe, Paul Conway, reconheceu risco de alta para a previsão do quarto trimestre e afirmou que a direção dos juros é provavelmente ascendente, embora a decisão de outubro continue aberta.
O ponto central é a mudança no balanço de riscos: um alívio temporário no terceiro trimestre pode ser insuficiente se câmbio e energia continuarem pressionando os preços. Para os mercados, isso torna especialmente relevante distinguir uma alta pontual de juros de uma sinalização de novas elevações. A reação do RBNZ dependerá de os próximos dados confirmarem uma pressão ampla e persistente, e não apenas um choque concentrado em combustíveis.
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