A alta do iene reacendeu o debate sobre o desmonte do carry trade, estratégia que depende de juros baixos no Japão para financiar apostas em ativos de maior retorno. Se a moeda avançar rapidamente, investidores podem vender posições globais para reduzir alavancagem.
O que aconteceu
O iene subiu cerca de 3% contra o dólar em setembro e alcançou o nível mais forte desde fevereiro, superando brevemente a marca de 155 ienes por dólar antes de ficar perto de 154. O movimento reflete expectativas de aumentos mais rápidos dos juros pelo Banco do Japão e a pressão do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, por uma moeda japonesa mais forte. No carry trade, investidores tomam empréstimos em iene a baixo custo e aplicam em ações americanas ou ativos emergentes. Quando o iene se valoriza, a dívida fica mais cara em termos relativos, o que pode levar ao fechamento de posições e à venda de ativos. Segundo a fonte, ações de tecnologia, papéis de alto crescimento e criptomoedas estão entre os segmentos historicamente mais vulneráveis.
Por que isso importa
O risco não depende apenas de ativos financiados diretamente em iene. Um desmonte mais amplo pode levar fundos a vender posições líquidas e rentáveis para levantar caixa, pressionando ações de alta volatilidade e múltiplos elevados. No Japão, a moeda forte reduz, na conversão, o valor dos lucros obtidos no exterior, afetando especialmente montadoras e empresas de tecnologia de hardware. Um nível de 152 ienes por dólar é acompanhado por sua proximidade com a taxa usada em projeções corporativas. Caso o câmbio avance além desse ponto, o crescimento esperado dos lucros japoneses pode perder força.
O que deve ser observado
O mercado deve acompanhar a comunicação do Banco do Japão sobre a trajetória dos juros, especialmente na reunião de 17 e 18 de setembro. Também importam a velocidade da valorização do iene, a região de 152 por dólar e as apostas de fundos que projetam o dólar abaixo de 150, com algumas opções mirando 140. A evolução das posições vendidas em iene ajudará a indicar se o movimento está se ampliando.
O episódio mostra como uma variável cambial pode transmitir pressão para ações, crédito e outros ativos por meio da alavancagem. O risco parece maior quando a moeda de financiamento se fortalece de forma abrupta, mas o texto aponta diferenças em relação a 2024: o avanço recente foi mais ordenado, o mercado já precifica uma alta de 0,25 ponto percentual do Banco do Japão e o diferencial de juros diminuiu. O dado do BIS citado na matéria indica que empréstimos e depósitos em iene para tomadores não bancários no exterior somaram ¥42 trilhões no primeiro trimestre, abaixo do recorde de ¥45,7 trilhões do fim de 2024.
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