A inteligência artificial tornou-se o principal impulso do comércio global de bens em 2026, ajudando a compensar tarifas, guerras e tensões geopolíticas. A força desse movimento, porém, está concentrada em equipamentos e cadeias ligadas à tecnologia.
O que aconteceu
O DHL Globalization Tracker, produzido pela DHL Group e pela Stern School of Business, elevou de 3,6% para 4,6% a previsão de crescimento do comércio de mercadorias neste ano. Para 2027, a projeção passou de 2,7% para 3,6%. O relatório estima expansão média anual de 3,45% até 2029, acima dos 2,7% registrados na década anterior, embora com desaceleração nos próximos três anos. Bens que habilitam a IA responderam por 42% do crescimento do comércio de mercadorias em 2025 e por quase 76% no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, as importações americanas subiram 57% de Taiwan, 44% do Vietnã e 28% da Coreia do Sul, enquanto as importações da China recuaram 16%.
Por que isso importa
O desempenho sugere que o comércio internacional não está simplesmente recuando diante do protecionismo. Cerca de três quartos do comércio transfronteiriço ainda ocorre sob as regras de baixas tarifas da Organização Mundial do Comércio, enquanto a demanda por hardware de IA cria fluxo físico para portos, transportadoras e operadores logísticos. O relatório também indica que a China ampliou suas exportações acima da média global e encontrou mercados além dos Estados Unidos, aumentando preocupações sobre concorrência considerada desleal em economias como a União Europeia. Ao mesmo tempo, guerras na Ucrânia e no Irã tiveram efeitos severos, porém concentrados.
O que deve ser observado
O foco estará na continuidade dos investimentos em equipamentos de IA, na capacidade logística para absorver a demanda e no efeito de novas decisões comerciais dos Estados Unidos. Também merecem atenção a congestão em portos chineses, o aumento das tarifas de contêineres e a reorientação das exportações chinesas. A participação da IA no crescimento do comércio pode indicar se o impulso atual é estrutural ou excepcional.
A leitura central é de uma globalização mais seletiva, não de uma reversão completa. Capital e informação registraram os maiores avanços relativos à atividade doméstica em 2025, levando o índice de conectividade global a um recorde de 25,8%. Ainda assim, esse nível mostra que o mundo permanece mais próximo de economias nacionais separadas do que de uma integração plena. Para mercados, o dado combina resiliência agregada com concentração de oportunidades em cadeias específicas de tecnologia, logística e infraestrutura física.
CONNECT