A inteligência artificial está alterando a relação entre empresas e consultorias: clientes pressionam por preços menores, internalizam tarefas e usam agentes de IA em etapas antes executadas por especialistas externos.
O que aconteceu
Empresas de diferentes portes e regiões estão cobrando redução de honorários das consultorias ou avaliando realizar o trabalho internamente, com maior apoio de inteligência artificial. O movimento atinge especialmente projetos de transformação de tecnologia da informação, uma atividade central para as grandes firmas do setor. Na Bayer, dezenas de agentes de IA já são usados em tarefas como programação e testes. Com isso, atividades de mapeamento de sistemas, realizadas antes da implementação de novos softwares, podem ser concluídas em menos tempo. Segundo o relato do Financial Times, essa aceleração dá aos clientes mais espaço para exigir preços menores.
Por que isso importa
A pressão não se limita à substituição de tarefas específicas. Ela afeta o modelo econômico de uma indústria avaliada em centenas de bilhões de dólares, cuja receita depende de projetos extensos e de equipes dedicadas. Se parte do trabalho for feita mais rapidamente ou migrar para dentro das empresas, as consultorias podem enfrentar menor volume contratado, compressão de margens e necessidade de reposicionar sua oferta. Para os clientes, o ganho potencial está em reduzir custos e encurtar cronogramas, mas a mudança também desloca responsabilidades de execução e gestão tecnológica.
O que deve ser observado
O principal indicador será a combinação entre internalização de projetos, adoção de agentes de IA e renegociação de preços. Também vale observar se o uso registrado na Bayer permanece concentrado em programação, testes e mapeamento de sistemas ou se avança para outras etapas da transformação de TI. A evolução desses movimentos ajudará a medir quanto da atividade das consultorias está sendo automatizado ou transferido para os clientes.
O caso mostra que o impacto econômico da IA pode aparecer primeiro na estrutura dos serviços, antes de surgir como uma ruptura completa de empregos ou empresas. A velocidade de execução já está alterando a negociação comercial: quando uma tarefa leva menos tempo, o cliente pode contestar tanto o preço quanto a necessidade de contratar terceiros. Para o mercado, o ponto de atenção é acompanhar a redistribuição do valor entre tecnologia, consultoria e equipes internas, sem tratar a automação como garantia de ganhos para todos.
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