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Hungria considera adotar o euro em 2031 e o mercado já reage à possível mudança

A Hungria pode adotar o euro em 2031 se o governo estabelecer uma meta ambiciosa e cumprir os critérios da moeda comum até 2029. A possibilidade já fortaleceu o forint e influenciou a leitura dos investidores sobre os ativos do país.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A Hungria pode adotar o euro em 2031 se o governo estabelecer uma meta ambiciosa e cumprir os critérios da moeda comum até 2029. A possibilidade já fortaleceu o forint e influenciou a leitura dos investidores sobre os ativos do país.

O que aconteceu

Zoltan Kurali, vice-governador do Banco Central da Hungria, afirmou que a entrada no euro em 2031 é possível caso o governo cumpra os critérios até 2029. Nesse cenário, o país poderia ingressar no ERM-2, mecanismo que mantém a moeda nacional dentro de uma faixa definida frente ao euro, em meados de 2028. O cenário-base continua sendo atender aos critérios em 2030 e adotar a moeda comum em 2032. O primeiro-ministro Peter Magyar assumiu com a promessa de aproximar a Hungria do centro europeu e estabeleceu a meta de reduzir o déficit para 3% do PIB em 2030, ante uma estimativa de 7,5% neste ano. Segundo a Bloomberg, o forint avançou 0,6% contra o euro após os comentários.

Por que isso importa

A discussão combina política fiscal, câmbio e custo de financiamento. Investidores já compraram moeda e títulos húngaros apostando em uma convergência gradual com a zona do euro. O compromisso também ajudou a limitar uma venda mais intensa nos últimos três meses, período afetado pela alta global dos preços de energia. O rendimento do título local de dez anos estava em 5,81%, enquanto a agência de gestão da dívida avaliou que um déficit de 4,5% no próximo ano seria uma surpresa positiva; um resultado de 5,5% ou mais decepcionaria o mercado. A trajetória, portanto, depende tanto das metas anunciadas quanto da capacidade de executá-las.

O que deve ser observado

Os próximos pontos de atenção são a apresentação do projeto de orçamento de 2027, esperada até 15 de outubro, as metas de convergência econômica e a decisão sobre o início do ERM-2. Kurali defende que a taxa de entrada seja definida considerando a meta de inflação do banco central e a competitividade da economia. O processo pode ser mais difícil que os de Bulgária e Croácia, porque o forint tem câmbio flutuante e precisaria ser administrado.

LEITURA ARK

O mercado parece estar precificando não apenas uma data potencial para a troca da moeda, mas também uma mudança no regime macroeconômico húngaro. A reação do forint mostra a sensibilidade dos ativos a compromissos de integração europeia, enquanto o déficit será o teste mais imediato de credibilidade. Para acompanhar o tema, vale separar anúncio político, metas fiscais verificáveis e eventual adesão formal ao ERM-2, sem tratar o cenário de 2031 como decisão já tomada.