Kevin Hassett, principal assessor econômico de Donald Trump, defendeu a saída de Jerome Powell do conselho do Federal Reserve após um relatório apontar falhas de gestão na reforma da sede da instituição. O caso amplia a atenção sobre a independência e a governança do banco central.
O que aconteceu
Hassett disse que Powell deveria deixar o conselho do Fed, embora tenha pedido respeito à independência da autoridade monetária. O relatório do inspetor interno, divulgado em 30 de setembro, não encontrou evidências de crime nem identificou má conduta administrativa ligada à reforma de US$ 2,4 bilhões em Washington. Ainda assim, apontou deficiências de gestão que contribuíram para quase dobrar o custo original. Trump também afirmou que Powell deveria ser obrigado a renunciar. O procurador-geral Todd Blanche disse que o Departamento de Justiça não reabriria uma investigação criminal com base nas conclusões atuais. O Fed pretende contratar uma auditoria independente, que poderá gerar nova apuração se encontrar indícios de crime.
Por que isso importa
Powell deixou a presidência do Fed em maio, mas permaneceu no conselho de governadores, rompendo com o padrão de presidentes anteriores deixarem a instituição ao fim do mandato. A disputa combina questionamentos administrativos sobre uma obra pública com pressão política sobre um dirigente que Trump já cobrava por juros menores. Por isso, o caso não se limita ao custo da reforma: também envolve os limites da influência do governo sobre a autoridade monetária.
O que deve ser observado
Os próximos pontos são o resultado da auditoria independente sobre a reforma e eventual encaminhamento ao Departamento de Justiça. Também merece atenção a permanência de Powell no conselho e a forma como o Fed preservará sua autonomia enquanto decisões de juros continuam sob escrutínio político. No mês anterior, o comitê liderado por Kevin Warsh votou por unanimidade a favor de uma alta de 0,25 ponto percentual.
O episódio mostra como uma investigação administrativa pode se transformar em disputa institucional mesmo sem uma conclusão de irregularidade criminal. Para os mercados, a questão central é acompanhar se a pressão sobre Powell e o conselho altera a percepção de independência do Fed. A auditoria prevista será o próximo teste factual para separar falhas de gestão de eventuais responsabilidades legais.
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