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Fed prepara pausa dura com pares do G7 e dezembro continua no radar

O Federal Reserve e seus pares da zona do euro e do Japão devem manter os juros estáveis na próxima semana. A pausa, porém, tende a preservar um tom firme diante dos riscos de inflação e da possibilidade de novas altas até o fim de 2026.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

O Federal Reserve e seus pares da zona do euro e do Japão devem manter os juros estáveis na próxima semana. A pausa, porém, tende a preservar um tom firme diante dos riscos de inflação e da possibilidade de novas altas até o fim de 2026.

O que aconteceu

As decisões dos três bancos centrais começam na quarta-feira, em Washington, e devem confirmar uma postura vigilante, sem aceleração imediata do aperto monetário. O Fed elevou os juros em setembro pela primeira vez desde 2023 e sinalizou outra alta provável neste ano. Desde então, os dados de inflação dos Estados Unidos vieram fortes, mas autoridades não parecem dispostas a agir imediatamente; economistas e investidores projetam a próxima alta para dezembro. O presidente do Fed, Kevin Warsh, deverá enfrentar pressão para comentar esse cenário na entrevista após a reunião, embora não seja esperado que ofereça orientação clara. O Banco Central Europeu também pode emitir sinais sobre dezembro, enquanto o Banco do Japão deve manter sua taxa e deixar aberta a possibilidade de mudança no fim do ano.

Por que isso importa

A combinação de juros inalterados e comunicação mais dura pode manter elevadas as expectativas de custo de financiamento nos mercados globais. Os riscos citados incluem energia mais cara e os efeitos do avanço da inteligência artificial sobre a inflação. A perspectiva de nova alta do Fed e a recente venda de Treasuries já ampliaram os diferenciais de rendimento entre a dívida americana e a de países emergentes da Ásia, aumentando o risco de saída de capital e pressão cambial. O quadro também ocorre em meio a condições financeiras apertadas, petróleo próximo de US$ 100 por barril e preocupações climáticas associadas ao El Niño.

O que deve ser observado

Além das decisões do Fed, BCE e Banco do Japão, o calendário reúne uma possível alta de juros na Nova Zelândia e uma eventual primeira alta em três anos em outro banco central. Nos Estados Unidos, PIB do terceiro trimestre e o índice de inflação preferido do Fed serão divulgados após a decisão. Austrália, Japão, China e Coreia do Sul também publicarão dados de inflação, atividade ou crescimento. O orçamento do Reino Unido e dados da zona do euro completam a agenda.

LEITURA ARK

A semana deve ser lida menos como uma pausa confortável e mais como um teste de comunicação. Se os bancos centrais mantiverem os juros, mas reforçarem a preocupação com inflação, o mercado poderá continuar precificando condições financeiras restritivas. Para acompanhar o cenário, os pontos centrais são a linguagem de Kevin Warsh, os dados de inflação dos Estados Unidos e a reação dos rendimentos dos Treasuries e das moedas emergentes.