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Fed eleva juros e projeta novo aumento, apesar da pressão de Trump

O Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou outro aumento ainda este ano. A decisão reforça a prioridade dada ao combate à inflação, mesmo diante da pressão pública de Donald Trump por custos de financiamento mais baixos.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

O Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou outro aumento ainda este ano. A decisão reforça a prioridade dada ao combate à inflação, mesmo diante da pressão pública de Donald Trump por custos de financiamento mais baixos.

O que aconteceu

O banco central americano aumentou a faixa da taxa dos Fed funds para 3,75% a 4%, na primeira alta desde julho de 2023. Segundo a Bloomberg, a decisão foi unânime e acompanhada por uma projeção mediana de juros em 4,1% ao fim de 2026, acima dos 3,8% previstos anteriormente. Dezesseis dirigentes projetaram ao menos mais uma alta neste ano. Ao justificar a medida, o presidente Kevin Warsh afirmou que os dados recentes ainda mostram aumentos anualizados acima de 3% em diversas categorias de bens e serviços. O Fed também passou a prever que a inflação só retornará a 2% em 2029, um ano depois da estimativa anterior.

Por que isso importa

A decisão indica que o Fed considera insuficiente a melhora recente da inflação e vê espaço para manter uma política monetária mais restritiva. O movimento ocorreu após dados de agosto mostrarem uma inflação subjacente mais forte que o esperado e enquanto autoridades avaliavam que as pressões poderiam estar se ampliando além dos efeitos temporários de tarifas e dos preços de energia ligados à guerra no Irã. Para os mercados, a revisão das projeções aumenta a possibilidade de juros elevados por mais tempo. Os rendimentos dos Treasuries de dois e dez anos subiram após o anúncio, com o título de dez anos superando 5%.

O que deve ser observado

O próximo foco será a evolução dos preços e a disposição do Fed de transformar a sinalização em nova alta. Também merece atenção a reação dos mercados às projeções para 2027, cuja mediana não prevê aumentos adicionais, embora oito dirigentes defendam juros um quarto de ponto acima do nível atual até o fim daquele ano. A relação entre Warsh e Trump permanece como um fator político relevante para a comunicação do banco central.

LEITURA ARK

A mensagem central é de tolerância limitada a uma inflação ainda disseminada: o Fed aceitou apertar as condições financeiras mesmo com a economia descrita como resiliente, a produtividade forte e o investimento robusto. O contraste entre a autoridade monetária e a Casa Branca pode ampliar a sensibilidade dos títulos americanos a cada dado de inflação e a cada nova projeção. Para a leitura de mercados, o episódio aponta mais para incerteza sobre a duração dos juros altos do que para uma trajetória rápida de flexibilização.