O dólar subiu 0,2% nesta quarta-feira, no maior avanço em mais de duas semanas, após o índice PCE manter a inflação americana em ritmo elevado. O movimento recuperou cerca de metade da queda provocada, na semana anterior, por medidas de apoio ao mercado de títulos do governo.
O que aconteceu
O Bloomberg Dollar Spot Index acompanhou a alta dos rendimentos dos Treasuries depois de o índice de preços de despesas de consumo pessoal, principal referência de inflação do Federal Reserve, avançar 3,7% em 12 meses em julho — quase o dobro da meta do banco central. O dado levou operadores a precificar cerca de 40% de probabilidade de uma alta de juros já no próximo mês, enquanto uma elevação de 0,25 ponto percentual até dezembro passou a ser plenamente esperada. Segundo a Bloomberg, o dólar avançou contra todas as moedas do Grupo dos Dez, exceto o dólar australiano. O iene chegou a cair 0,2%, a 159,45 por dólar.
Por que isso importa
O PCE recolocou a inflação no centro da formação de preços dos mercados, fortalecendo a moeda e pressionando os rendimentos dos títulos americanos. Ainda assim, o avanço cambial foi limitado por dados que mostraram estabilidade do consumo real nos Estados Unidos em julho, reforçando sinais de que a economia está perdendo ritmo. O episódio evidencia a sensibilidade do dólar à combinação entre inflação persistente, atividade econômica e expectativas para os juros. Também mostra que as medidas recentes de compra de títulos pelo governo continuam afetando a percepção internacional sobre a moeda como ativo de reserva e refúgio.
O que deve ser observado
O próximo foco será o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, na sexta-feira, durante o simpósio de Jackson Hole. Como ele deixou de seguir a prática anterior de oferecer orientação antecipada sobre a trajetória dos juros, qualquer indicação sobre disposição para elevar as taxas caso a desinflação perca força pode aumentar a demanda pelo dólar. A ausência de comentários sobre a política de curto prazo também pode gerar volatilidade.
O mercado está recalibrando o dólar a partir de duas forças que apontam em direções diferentes: o PCE mantém viva a possibilidade de juros mais altos, enquanto o consumo estável sugere uma economia menos aquecida. Para acompanhar o movimento, vale observar simultaneamente o índice do dólar, os rendimentos dos Treasuries e a reação às falas do Fed, sem tratar a recuperação recente como confirmação de uma tendência duradoura.
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