O dólar encerrou quatro semanas consecutivas de alta, sua mais longa sequência desde o início de 2025. O avanço, de cerca de 3% no período, combina petróleo caro, busca por segurança e expectativas de juros mais elevados nos Estados Unidos.
O que aconteceu
O Bloomberg Dollar Spot Index subiu 0,2% na sexta-feira e acumulou aproximadamente 3% em quatro semanas. No mesmo dia, os Treasuries recuaram, levando os rendimentos de diferentes prazos para perto dos picos recentes. O dólar tem recebido suporte dos preços elevados do petróleo, associados à guerra em curso no Irã, e da procura por ativos considerados mais seguros. Dados da Commodity Futures Trading Commission divulgados na sexta-feira mostram que operadores especulativos mantêm posição favorável à moeda. O euro chegou ao menor nível desde maio de 2025, pressionado por preocupações fiscais na França e pelo custo de energia. O dólar canadense também enfraqueceu após dados de emprego abaixo do esperado no Canadá.
Por que isso importa
A alta do dólar afeta moedas, títulos e ativos de risco em diferentes mercados. Petróleo mais caro aumenta a pressão inflacionária sobre países importadores de energia, enquanto expectativas de juros americanos relativamente mais altos tornam os ativos dos Estados Unidos mais atraentes. A política do Federal Reserve é central nesse processo: a instituição elevou os juros no mês anterior, e autoridades indicaram que novos aumentos podem ser necessários para combater a inflação. De acordo com dados da CFTC até 6 de outubro, gestores de ativos e outros participantes mantinham mais de US$ 35 bilhões em apostas ligadas à valorização do dólar.
O que deve ser observado
O próximo teste será o dado de inflação de setembro, previsto para quarta-feira. Um resultado acima do esperado pode reforçar a percepção de uma postura mais dura do Federal Reserve. Também estarão no radar os preços do petróleo, possíveis interrupções de oferta no Estreito de Ormuz, os gastos com inteligência artificial e as eleições legislativas americanas de novembro. Uma eventual redução das tensões envolvendo o Irã poderia aliviar a pressão sobre a energia.
O movimento atual reúne fatores que se reforçam: petróleo elevado, procura por proteção, juros americanos potencialmente mais altos e fluxo de capital para empresas ligadas à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a concentração de posições otimistas deixa o câmbio sensível a surpresas. Inflação mais persistente pode prolongar a vantagem do dólar, mas uma mudança no cenário energético, no apetite por risco ou nas expectativas políticas dos Estados Unidos pode reduzir seu brilho. O ponto central é acompanhar se os catalisadores permanecem simultaneamente favoráveis.
CONNECT