O Banco da Inglaterra alertou que o crescimento acelerado da dívida ligada à inteligência artificial pode aumentar o risco de uma correção mais intensa nos mercados. O sistema financeiro segue resiliente, mas ficou mais exposto a uma eventual frustração com os resultados da tecnologia.
O que aconteceu
A emissão de dívida relacionada à inteligência artificial somou US$ 450 bilhões nos 12 meses até setembro, mais do que o dobro do total registrado em todo o ano anterior, segundo estimativas da Morgan Stanley citadas pelo Banco da Inglaterra. O Comitê de Política Financeira afirmou que esse avanço amplia a exposição dos mercados de capitais ao desempenho da IA. A autoridade destacou que o risco de uma correção mais acentuada persiste, especialmente se houver um choque relevante nas expectativas de lucro causado por dúvidas sobre o ritmo de desenvolvimento ou adoção da tecnologia. Ações de empresas ligadas à IA e fabricantes de semicondutores caíram em julho antes de se recuperarem.
Por que isso importa
A preocupação não está restrita às cotações de empresas de tecnologia. Se os ganhos de produtividade associados à IA forem menores que o projetado, os efeitos podem atingir tanto as avaliações de ativos relacionados à tecnologia quanto os mercados de dívida soberana. O Banco da Inglaterra também apontou aumento das vulnerabilidades financeiras, com inflação persistente, juros mais altos, níveis elevados de dívida pública e pressão decorrente do avanço dos preços de energia. O uso elevado de alavancagem por fundos de hedge em operações com títulos do governo britânico acrescenta outra fonte de risco.
O que deve ser observado
O principal ponto de atenção é a distância entre as expectativas de lucro e a capacidade efetiva da IA de gerar crescimento econômico. Também será importante acompanhar a alavancagem no mercado de títulos britânicos: os empréstimos bancários a fundos de hedge e outras instituições não bancárias em operações de recompra de gilts dobraram desde 2023, para cerca de £ 200 bilhões. O comitê avalia medidas baseadas no mercado.
O alerta combina entusiasmo tecnológico com uma questão de financiamento: quanto maior a dependência de dívida para sustentar a expansão da IA, maior a sensibilidade do mercado a revisões de lucro e produtividade. A mensagem do banco central não é de ruptura imediata, mas de vulnerabilidade crescente. Para a leitura de risco, o dado mais relevante é a conexão entre ativos de IA, crédito e dívida soberana — canais que podem amplificar uma mesma decepção.
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