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A nova onda de dívida da IA já pressiona o crédito e o mercado se prepara para mais emissões

A expansão da inteligência artificial está criando uma frente adicional de pressão nos mercados de crédito. Enquanto empresas de tecnologia se preparam para novas emissões de dívida, o custo de proteção contra calotes atingiu níveis recordes em alguns nomes do setor.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A expansão da inteligência artificial está criando uma frente adicional de pressão nos mercados de crédito. Enquanto empresas de tecnologia se preparam para novas emissões de dívida, o custo de proteção contra calotes atingiu níveis recordes em alguns nomes do setor.

O que aconteceu

Os credit default swaps (CDS), contratos usados para proteger investidores contra um eventual calote, avançaram para máximas históricas em empresas ligadas à inteligência artificial. Os CDS da Oracle chegaram a 343 pontos-base, enquanto o indicador da Meta atingiu 114,8 pontos-base antes da divulgação de resultados. Os contratos de cinco anos da SpaceX chegaram a 242 pontos-base, ante cerca de 111 pontos-base quando começaram a ser negociados ativamente em junho. Empresas de tecnologia já captaram mais de US$ 450 bilhões neste ano para financiar a inteligência artificial, segundo dados compilados pela Bloomberg. Agora, investidores esperam novas ofertas após a divulgação dos resultados trimestrais e o fim do período de restrição às emissões.

Por que isso importa

O mercado precisa absorver uma oferta potencialmente elevada de títulos justamente quando investidores questionam se os gastos com IA gerarão retornos suficientes. A expectativa de novas captações tem levado detentores de bonds a reduzir posições existentes para abrir espaço a futuras ofertas. O volume negociado de CDS ligados às dez maiores empresas de computação em nuvem e fabricantes de chips saltou 691% até setembro, para US$ 140 bilhões, contra US$ 17,7 bilhões no mesmo período do ano anterior. O movimento também sugere maior percepção de exposições correlacionadas entre empresas antes vistas como créditos distintos.

O que deve ser observado

Meta e SpaceX estão no centro da próxima etapa. Investidores devem observar os planos de investimento em IA, o tamanho e o momento de eventuais emissões e a reação dos spreads de crédito. A Meta pode voltar ao mercado de títulos em dólares após uma pausa de mais de dois meses, enquanto a SpaceX negocia uma captação de US$ 40 bilhões para comprar chips da Nvidia. Participantes também esperam emissões maiores após as eleições legislativas americanas e, de forma mais significativa, em 2027.

LEITURA ARK

O caso mostra como o ciclo de investimento em IA está se tornando também uma questão de capacidade de financiamento. O aumento simultâneo das captações, dos volumes de CDS e da preocupação com retornos coloca o crédito no centro da avaliação do setor. Para acompanhar a dinâmica, mais importante que uma emissão isolada será observar se a oferta cresce em ritmo compatível com a demanda e como os investidores diferenciam empresas, estruturas de dívida e capacidade de geração de caixa.