Pablo Hernández de Cos, candidato à presidência do Banco Central Europeu, defendeu atenção contínua aos riscos inflacionários ligados aos preços elevados de energia. A declaração ocorre antes das discussões sobre a sucessão de Christine Lagarde e em um momento de pressão sobre preços e contas públicas na zona do euro.
O que aconteceu
Em entrevista ao jornal suíço Tagesanzeiger, de Cos afirmou que os chamados efeitos de segunda ordem — quando empresas e trabalhadores repassam custos de energia a preços e salários — ainda não apareceram. Ele, porém, disse que a expectativa inicial de uma queda dos preços de energia após o fim rápido da guerra não se concretizou, apontando para a guerra no Irã. Por isso, defendeu vigilância sobre os riscos inflacionários. O espanhol também afirmou que eventuais altas de juros devem ocorrer apenas quando os dados mostrarem ameaças à estabilidade de preços. Atualmente à frente do Banco de Compensações Internacionais, ele é um dos dois nomes na disputa pelo comando do BCE, ao lado do holandês Klaas Knot.
Por que isso importa
A posição de de Cos oferece uma indicação sobre o tipo de avaliação que pode influenciar a política monetária europeia sob a próxima liderança do BCE. A inflação da zona do euro está em nível equivalente ao dobro da meta de 2% da instituição, enquanto investidores acompanham a pressão fiscal na França. O candidato também destacou que déficits persistentemente altos e níveis historicamente elevados de dívida tornam mais caro o serviço dos empréstimos quando os juros sobem. Isso conecta o debate inflacionário às restrições fiscais enfrentadas por algumas economias do bloco.
O que deve ser observado
Ministros das Finanças da zona do euro devem discutir as candidaturas na segunda-feira, mas a decisão final caberá aos líderes europeus. O processo terá como próximos marcos uma cúpula informal em 13 de novembro e uma reunião extraordinária em 26 e 27 de novembro. A disputa permanece entre de Cos e Knot, que ainda não recebeu outros concorrentes no pacote de informações disponível.
A fala de de Cos combina cautela contra choques de energia com uma defesa de decisões baseadas nos dados, não em movimentos automáticos de juros. Para os mercados, o ponto central será observar se a sucessão do BCE reforça essa prioridade à estabilidade de preços e como os candidatos tratam o vínculo entre inflação, custo do crédito e sustentabilidade da dívida pública. A declaração, isoladamente, não constitui sinal de compra ou venda.
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