A expansão dos data centers de inteligência artificial começa a ser avaliada por uma variável menos visível que o nome do operador: a localização. Uma análise de 1.000 instalações indica que clima, exposição regional e resistência comunitária podem redefinir o risco desses ativos de longo prazo.
O que aconteceu
O estudo da SCR examinou instalações que abrigam 11 hyperscalers em 34 países, considerando riscos de vento, enchente, incêndio florestal e calor entre 2035 e 2050, sob dois cenários de aquecimento global do IPCC. O vento foi o risco financeiro mais abrangente: atingiu todos os ativos e gerou impacto anual esperado médio de 0,65% no valor, além de custo de inação descontado de 5,51% até 2050. O calor também alcançou todas as unidades, mas com impacto médio de 0,007%, associado sobretudo a interrupções operacionais. Enchentes afetaram 185 locais; nesses casos, o dano médio anual equivaleria a 0,33% do valor dos ativos, enquanto o pior local chegaria a 8,92%.
Por que isso importa
A análise desloca o foco da capacidade financeira de Amazon Web Services, Microsoft, Google e Meta para a qualidade física e regional dos projetos. Japão, Holanda e Irlanda apresentaram os maiores impactos financeiros médios anuais, com 2,78%, 1,85% e 1,47%, respectivamente; os Estados Unidos registraram 0,60%. A concentração americana também expõe os projetos a uma segunda frente de risco: comunidades preocupadas com ruído, linhas de alta tensão e valores imobiliários vêm pressionando governos e desenvolvedores. A oposição, segundo participantes do setor, já contribuiu para o congelamento ou cancelamento de empreendimentos.
O que deve ser observado
O mercado deve acompanhar como investidores e financiadores incorporarão mapas de risco climático, medidas de adaptação e possíveis custos de interrupção na seleção de projetos. Também será relevante observar se a reação local nos Estados Unidos continuará atrasando licenças, auditorias e construções. A SCR alerta que medidas de resiliência não divulgadas podem não aparecer nos dados, o que deixa a avaliação de alguns locais incompleta.
A principal leitura é que a infraestrutura de IA não pode ser analisada apenas por contratos, escala ou reputação do operador. Como os data centers são intensivos em capital, duradouros e difíceis de deslocar depois de construídos, o endereço passa a funcionar como parte central da tese econômica. Os dados sugerem uma distribuição desigual do risco: a média pode parecer baixa, mas poucos ativos mal posicionados concentram perdas potencialmente relevantes. Para decisões de capital, diligência geográfica e resiliência operacional ganham peso, sem constituir, isoladamente, sinal de compra ou venda.
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