O mercado de títulos dos Estados Unidos começa uma semana potencialmente turbulenta, com dois eventos capazes de mexer simultaneamente nas pontas curta e longa da curva de juros: uma recompra de títulos pelo Tesouro e novos dados de inflação.
O que aconteceu
Após uma semana volátil, investidores voltarão a acompanhar na quarta-feira os detalhes de uma recompra de títulos do Tesouro, prevista para ocorrer no dia seguinte. O programa terá pelo menos o dobro do limite anterior, de US$ 2 bilhões, e valores entre três e cinco vezes esse montante são considerados possíveis pela fonte. Na sexta-feira, será divulgado o índice de preços ao consumidor de agosto. Economistas consultados pela Bloomberg projetam alta anual de 3,4% no índice cheio e de 2,4% no núcleo. Na sexta anterior, dados de emprego acima das expectativas elevaram os rendimentos de curto prazo e aumentaram as apostas em uma alta de juros ainda neste mês.
Por que isso importa
A combinação coloca em lados diferentes as forças que movem a dívida americana. A política monetária influencia principalmente os rendimentos de curto prazo, enquanto a política fiscal e o custo de financiamento pressionam os vencimentos mais longos. O rendimento do título de 30 anos permanece perto de 5,25%, depois de atingir o maior nível desde 2007. Uma recompra superior a US$ 4 bilhões poderia favorecer uma alta dos preços dos títulos, enquanto uma inflação mais persistente tende a reforçar a atenção sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O que deve ser observado
O mercado precificava, na sexta-feira, cerca de 60% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual neste mês, segundo o mercado de swaps. Os investidores também observarão o tamanho final da recompra, os dados de inflação e eventuais sinais sobre as prioridades do Tesouro e do Federal Reserve antes da decisão de juros marcada para 16 de setembro.
A semana concentra catalisadores distintos para a curva de juros dos EUA: um evento operacional do Tesouro e um dado macroeconômico central para o Federal Reserve. O contraste ajuda a explicar por que movimentos nos títulos curtos e longos podem divergir. Mais do que um sinal isolado, a reação dos rendimentos indicará como o mercado está ponderando inflação, juros e custo de financiamento público.
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