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Congresso democrata pode reforçar apoio à Ucrânia, mas esbarra no poder de veto de Trump

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato muda o equilíbrio no Congresso dos Estados Unidos, mas não retira de Donald Trump o comando da política externa. Para a Ucrânia, o novo cenário combina oportunidades de apoio e limites institucionais.

Fonte utilizadaFinancial Times ↗

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato muda o equilíbrio no Congresso dos Estados Unidos, mas não retira de Donald Trump o comando da política externa. Para a Ucrânia, o novo cenário combina oportunidades de apoio e limites institucionais.

O que aconteceu

Os democratas assumirão o controle das duas câmaras do Congresso e pretendem usar poderes orçamentários e de fiscalização para ampliar o suporte à Ucrânia. Ainda no período de transição, antes da posse do novo Congresso em janeiro, parlamentares buscam incluir assistência energética e outras medidas no projeto anual de política de defesa, o NDAA. No próximo Congresso, devem priorizar mudanças na legislação de sanções contra a Rússia, além de investigar a condução da política externa do governo Trump e interesses empresariais ligados a seus enviados para negociações sobre Ucrânia e Irã. O partido também quer ampliar a fiscalização sobre a rede Starlink, usada pela Ucrânia. Segundo o Financial Times, a manutenção de apoio republicano será necessária para superar eventuais vetos presidenciais.

Por que isso importa

A Ucrânia enfrenta, de acordo com o material, um dos invernos mais difíceis da guerra, enquanto negociações entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia estão previstas para ocorrer em Abu Dhabi. O controle democrata pode acelerar debates sobre energia, armas, inteligência, interceptadores e sanções. Mas a capacidade de aprovar medidas vinculantes permanece limitada: sem maioria de dois terços nas duas câmaras, os democratas não conseguem neutralizar um veto de Trump sem apoio republicano. A saída ou aposentadoria de alguns aliados republicanos de Kyiv aumenta a necessidade de formar uma nova coalizão bipartidária.

O que deve ser observado

Os principais sinais serão a tramitação do NDAA antes do fim do atual Congresso, a tentativa de alterar a legislação de sanções e a formação de novos defensores republicanos da Ucrânia. Também estarão no radar as investigações sobre Starlink, os negócios ligados à família Trump e os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner. Para Kyiv, o ponto central será evitar novas concessões dos Estados Unidos à Rússia.

LEITURA ARK

O novo Congresso amplia a capacidade de escrutínio e pode criar instrumentos de apoio à Ucrânia, mas não redefine sozinho a direção da política externa americana. O fator decisivo será a combinação entre disciplina democrata, adesão republicana e disposição da Casa Branca para negociar. A leitura mais prudente é de disputa institucional: haverá mais pressão sobre decisões do governo, sem garantia de mudança radical nem de continuidade automática da ajuda.