O cobre caiu pelo terceiro pregão consecutivo após dados de inflação dos Estados Unidos mais fortes que o esperado aumentarem as apostas em uma política mais dura do Federal Reserve. O movimento expôs a sensibilidade do metal às expectativas de juros, demanda e atividade econômica.
O que aconteceu
O cobre negociado na London Metal Exchange recuou 1%, para US$ 14.347 por tonelada, registrando a sequência negativa mais longa desde junho. Os dados divulgados na quarta-feira mostraram que a inflação americana avançou no ritmo mais rápido em cinco meses. A leitura elevou as expectativas de novas altas de juros para desacelerar a economia, cenário que pode reduzir a demanda por metais e aumentar custos de fabricação. Outros metais básicos também caíram, e o alumínio atingiu o menor nível desde o ano passado. Ações de mineradoras acompanharam a piora: a BHP recuou 1,6% em Londres, enquanto a Antofagasta caiu 4% após divulgar produção abaixo das estimativas.
Por que isso importa
O episódio mostra como uma única leitura de inflação pode alterar rapidamente a percepção sobre juros e atingir ativos ligados ao crescimento. O cobre havia alcançado recorde no mês anterior e ainda acumula alta superior a 15% em 2026, mas passou a oscilar diante da incerteza sobre o caminho do Fed. A alta anterior também refletiu o deslocamento de grandes volumes de metal para os Estados Unidos, antes de tarifas de importação esperadas, deixando outros mercados menos abastecidos. Ao mesmo tempo, a tese de demanda associada à infraestrutura de inteligência artificial tornou o metal mais exposto a uma eventual perda de apetite por esse setor.
O que deve ser observado
Os mercados devem acompanhar novas indicações sobre inflação e juros nos Estados Unidos, além da trajetória do dólar, que atingiu na quarta-feira o maior nível desde maio de 2025 antes de recuar. No lado da oferta, a BHP chegou a um acordo preliminar com trabalhadores para evitar uma greve na mina Escondida, no Chile, mas a proposta ainda depende de aprovação sindical. A produção chilena enfrentou dificuldades ao longo do ano.
A queda combina três pressões: inflação mais persistente, dólar forte e menor confiança em ativos de risco. O cobre continua sustentado por fatores específicos, como o desequilíbrio regional de oferta e a expectativa de consumo ligado à inteligência artificial, mas esses vetores não impediram a reação imediata aos dados americanos. Para a leitura dos mercados, o ponto central é a mudança no custo de carregar posições e nas expectativas de demanda, não apenas o resultado diário do metal.
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