A China está ampliando o uso de instrumentos de suporte ao mercado acionário, com crédito mais barato para recompras e maior participação de instituições financeiras. A ofensiva busca estabilizar preços e confiança após uma forte sequência de perdas, mas ainda enfrenta a resistência dos investidores domésticos.
O que aconteceu
O Banco Popular da China informou que realizará operações de sua linha de swap para corretoras, fundos e seguradoras quando necessário, ampliará o número de participantes e reduzirá moderadamente as tarifas. Também cortará de 1,25% para 1% a taxa de sua linha de crédito para financiar recompras de ações e aumentos de participação, além de tornar o programa permanente e estimular os bancos a emprestar mais. A terceira rodada de swaps deve começar nos próximos dias, com 31 corretoras e gestoras aprovadas e pedidos por mais de 100 bilhões de yuans em cotas. A comissão reguladora de valores mobiliários ainda pretende ampliar o programa, flexibilizar regras de recompra e estudar ajustes no financiamento de margem.
Por que isso importa
As medidas oferecem financiamento de menor custo para operações que podem sustentar ações e melhorar a liquidez. Também sinalizam que Pequim pretende construir um mercado em alta gradual, capaz de atrair parte da poupança das famílias para a renda variável. O desafio é que a volatilidade recente enfraqueceu esse objetivo: o índice CSI 300 caiu 8,5% em outubro, pior desempenho mensal em mais de uma década, e acumulou 12 semanas consecutivas de queda até a sexta-feira anterior. A Bloomberg relata que o movimento ocorre em meio à economia fraca e a dúvidas sobre os lucros ligados à inteligência artificial.
O que deve ser observado
O mercado deverá acompanhar a execução das novas operações, o volume efetivamente liberado e a adesão de empresas, especialmente grandes companhias de tecnologia e integrantes de índices relevantes. Também será importante observar se as mudanças nas recompras e no financiamento de margem aumentam a liquidez sem interromper a cautela dos investidores. Até o momento, foram contratados cerca de 440 bilhões de yuans em empréstimos para recompras e aumentos de participação, com mais de 280 bilhões já desembolsados.
A política chinesa está migrando de anúncios de suporte para uma combinação mais ampla de crédito, swaps e mudanças regulatórias. Isso pode influenciar expectativas sobre liquidez e risco no mercado acionário chinês, mas não elimina os fatores que pressionam os preços, como a fraqueza econômica e a dúvida sobre resultados corporativos. Segundo a Gavekal Dragonomics, a disposição do governo de parecer favorável ao mercado é relevante porque a confiança das famílias permanece frágil. O alcance das medidas dependerá, portanto, da utilização efetiva dos instrumentos e da resposta dos investidores.
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