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Bundesbank vê inflação alemã sob pressão e o BCE diante de um novo teste

A Bundesbank avalia que os riscos para a inflação na Alemanha estão claramente inclinados para cima. O alerta ocorre enquanto o BCE se prepara para elevar os juros em dezembro e a alta de energia ameaça prolongar a pressão sobre os preços.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A Bundesbank avalia que os riscos para a inflação na Alemanha estão claramente inclinados para cima. O alerta ocorre enquanto o BCE se prepara para elevar os juros em dezembro e a alta de energia ameaça prolongar a pressão sobre os preços.

O que aconteceu

Em relatório divulgado na segunda-feira, a Bundesbank listou entre os principais riscos a alta ou a elevação dos preços de commodities, além do aumento dos custos de alimentos, bens não energéticos e serviços. O banco central alemão afirmou que uma repetição da fase de inflação elevada de 2021–22 parece improvável, mas destacou que o balanço de riscos é desfavorável. O choque atual está mais concentrado no petróleo e em produtos refinados, enquanto gás natural e eletricidade sofrem menos pressão. A instituição também observou que a demanda e os mercados de trabalho estão mais fracos, reduzindo a probabilidade de repasses amplos e frequentes aos preços. Segundo a fonte, Christine Lagarde espera inflação acima da meta até o primeiro semestre de 2027.

Por que isso importa

O alerta reforça a sensibilidade da política monetária europeia aos custos de energia e à possibilidade de a pressão se espalhar para outros setores. O BCE deve elevar os juros pela terceira vez no ano em dezembro, para 2,75%, nível inferior ao pico de 4% observado no episódio inflacionário anterior, mas ligeiramente acima da faixa considerada neutra para a economia. A combinação entre inflação persistente e atividade mais fraca pode tornar as próximas decisões especialmente dependentes dos dados.

O que deve ser observado

O ponto central será verificar se o encarecimento do petróleo e de derivados começa a afetar alimentos, bens e serviços de forma mais ampla. Também merece atenção a duração das tensões no Oriente Médio, citada pelo BCE como fator capaz de prolongar a alta dos custos de energia, além da reação das empresas diante de uma demanda mais fraca.

LEITURA ARK

A mensagem da Bundesbank combina dois sinais: o risco de inflação não desapareceu, mas o ambiente atual ainda não reproduz integralmente o choque de 2021–22. Para os mercados, isso mantém a trajetória dos juros dependente da persistência dos custos de energia e de sua transmissão para a economia. O dado relevante será a amplitude desse repasse, não apenas o movimento inicial do petróleo.