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Brent supera US$ 110 com alívio da oferta cada vez mais distante

O Brent ultrapassou US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, em meio à percepção de que uma redução imediata dos riscos de oferta ficou menos provável. O movimento recoloca a energia no centro das preocupações dos mercados globais.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

O Brent ultrapassou US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, em meio à percepção de que uma redução imediata dos riscos de oferta ficou menos provável. O movimento recoloca a energia no centro das preocupações dos mercados globais.

O que aconteceu

O petróleo de referência global avançou 3,7% e registrou a segunda alta semanal consecutiva. A escalada ocorreu enquanto rebeldes houthis apoiados pelo Irã mantêm ataques contra a Arábia Saudita, e Rússia e Ucrânia trocam ataques contra instalações de energia. Os volumes que passam pelo Estreito de Ormuz se aproximaram dos níveis anteriores à guerra, superando 100 milhões de barris de petróleo na semana passada, mas os preços continuaram elevados. Futuros de diesel e gasolina também subiram: o diesel fechou a US$ 4,90 por galão em Nova York, em níveis recordes para esta época do ano. O petróleo acumula alta superior a 75% em 2026.

Por que isso importa

A alta combina risco geopolítico com sinais de aperto nos mercados físicos, especialmente nos derivados. A exclusão do diesel russo dos mercados globais pressiona refinarias de outras regiões a processar mais petróleo para atender à demanda. O encarecimento da energia pode reforçar a inflação e limitar as opções de política econômica. Nos Estados Unidos, parlamentares apresentaram um projeto para bloquear um acordo com Moscou que liberaria centenas de milhões de barris de diesel, enquanto o governo ofereceu até 17 milhões de barris das reservas estratégicas.

O que deve ser observado

O mercado deve acompanhar a evolução dos conflitos no Golfo Pérsico, a continuidade dos ataques contra infraestrutura energética e a efetiva liberação de diesel russo. Também importam o uso das reservas estratégicas americanas, a reação de outros países e a volatilidade dos contratos futuros, que permanecem desconectados da força observada nos mercados físicos.

LEITURA ARK

O episódio mostra como o preço do petróleo pode reagir rapidamente quando o mercado reprecifica o risco de oferta, mesmo com os fluxos pelo Estreito de Ormuz próximos dos níveis anteriores à guerra. Para os mercados, a combinação entre petróleo, diesel e gasolina merece atenção porque amplia a pressão sobre custos e inflação. O ponto central agora é saber se as medidas de emergência conseguirão compensar a deterioração do ambiente de segurança energética.