O Banco do Japão pode manter o ritmo acelerado de alta de juros, com uma nova elevação já em dezembro no radar. A decisão dependerá da evolução da economia, da inflação e do efeito acumulado do aperto monetário.
O que aconteceu
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, autoridades do BoJ avaliam que a tendência subjacente da inflação chegou a um nível amplamente compatível com a meta de 2%. Ao mesmo tempo, consideram que a taxa de política monetária ainda está distante do nível neutro, que não estimula nem restringe a economia. O banco vê necessidade crescente de estabilizar a inflação nesse patamar e pode manter, aproximadamente, o ritmo recente de altas se atividade e preços evoluírem conforme o esperado. Não há, porém, uma trajetória predeterminada para os juros. A instituição deve manter a taxa inalterada na reunião que termina em 30 de outubro, enquanto dezembro aparece como uma possibilidade para o próximo aumento.
Por que isso importa
O BoJ elevou sua taxa de referência pela segunda vez em três meses em setembro, no ritmo mais rápido desde 1990. A possibilidade de repetir altas trimestrais indica que o processo de normalização monetária pode continuar, desde que os dados confirmem a avaliação dos dirigentes. Para os mercados, a combinação entre inflação acima da meta e uma taxa ainda considerada distante do nível neutro mantém o foco sobre os próximos passos do banco central japonês.
O que deve ser observado
A reunião de 30 de outubro deve trazer uma nova projeção trimestral para crescimento e inflação, embora não sejam esperadas mudanças relevantes além de ajustes nas estimativas. Também merece atenção o índice de preços ao consumidor sem alimentos frescos, que subiu 2,1% em setembro e superou a meta do BoJ pela primeira vez neste ano. A confirmação de uma alta em dezembro dependerá do panorama econômico, dos riscos e do impacto acumulado das elevações anteriores.
A mensagem central é de continuidade, mas não de automatismo. O BoJ parece disposto a avançar com o aperto enquanto inflação e atividade permanecerem dentro de sua visão, porém preserva margem para recalibrar o calendário. O mercado deverá acompanhar menos uma promessa de trajetória fixa e mais a distância entre a taxa atual, o nível neutro estimado e os dados que serão divulgados até dezembro.
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