O Banco da Inglaterra vê riscos crescentes de uma nova aceleração da inflação britânica. A combinação entre interrupções no petróleo, capacidade de refino pressionada e eventos climáticos pode alterar as projeções da autoridade antes das próximas decisões de juros.
O que aconteceu
Em depoimento ao comitê do Tesouro da Câmara dos Comuns, o presidente do BoE, Andrew Bailey, disse que os riscos para a inflação estão concentrados no lado positivo. A quase interrupção do Estreito de Ormuz e problemas na capacidade de refino podem elevar o preço do petróleo e de seus derivados. No Reino Unido, a seca prejudicou pastagens e aumentou a preocupação com a oferta de ração; globalmente, o fenômeno El Niño também pode afetar alimentos. O BoE projeta inflação de 3,2% no quarto trimestre, acima dos 2,9% registrados em julho. A inflação de alimentos, prevista em cerca de 3,5% no fim do ano, será reavaliada à luz dos novos dados.
Por que isso importa
O alerta ocorre quando o BoE tenta conduzir os juros em um ambiente de choques simultâneos. A inflação de alimentos havia desacelerado para 1,3% em julho, mas a Capital Economics prevê alta até um pico próximo de 5% no próximo verão. Uma pressão mais persistente sobre energia e alimentos pode dificultar a convergência da inflação e reduzir a margem para cortes de juros. O mercado financeiro já precifica a possibilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, embora Bailey tenha rejeitado a ideia de um roteiro previamente definido.
O que deve ser observado
A reunião do BoE na próxima semana deve ser acompanhada pela decisão sobre manter a taxa em 3,75%, cenário amplamente esperado. Também será relevante observar novas projeções para energia e alimentos, além da reação dos mercados às medidas fiscais do próximo orçamento. O espaço fiscal do governo, estimado pela Resolution Foundation entre quase £24 bilhões e apenas £5 bilhões, pode influenciar a percepção sobre cortes de gastos ou aumento de impostos.
O ponto central não é apenas o nível atual da inflação, mas a possibilidade de novos choques alterarem sua trajetória. Energia, alimentos e logística aparecem conectados em um mesmo risco para as projeções do BoE. Para os mercados, isso aumenta a sensibilidade a dados de preços e a declarações de autoridades, sem oferecer, por enquanto, uma direção definida para os juros. A ausência de um compromisso explícito de Bailey reforça a dependência de dados nas próximas decisões.
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