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BlackRock amplia a aposta em IA e desloca o foco para quem lucra com a tecnologia

A BlackRock está ajustando sua exposição à inteligência artificial: em vez de concentrar o investimento apenas nas empresas pioneiras, a gestora passou a favorecer companhias que podem capturar os ganhos econômicos da tecnologia.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A BlackRock está ajustando sua exposição à inteligência artificial: em vez de concentrar o investimento apenas nas empresas pioneiras, a gestora passou a favorecer companhias que podem capturar os ganhos econômicos da tecnologia.

O que aconteceu

A BlackRock reorganizou posições em carteiras-modelo, que reúnem fundos em estratégias prontas para assessores financeiros, com maior preferência por ações de grande capitalização. O movimento também ampliou a exposição à IA para além das empresas mais diretamente associadas ao desenvolvimento da tecnologia. O iShares Large Cap Core Active ETF (BLCR) recebeu US$ 2 bilhões nesta semana, o maior volume desde março. A gestora manteve uma sobreponderação de 1% em ações, mas reduziu apostas regionais nos mercados americano, desenvolvido e emergente. Mais de US$ 4 bilhões foram direcionados ao iShares International Country Rotation Active ETF (CORO), enquanto o iShares MSCI USA Momentum Factor ETF (MTUM) registrou saídas superiores a US$ 4 bilhões.

Por que isso importa

A movimentação sugere que o chamado trade de IA está mudando de natureza: o foco deixa de ser apenas quem constrói a tecnologia e passa a incluir quem consegue transformar sua adoção em resultado. O caso também mostra a influência crescente das carteiras-modelo sobre os fluxos de ETFs. Segundo estimativa da Bloomberg Intelligence, trilhões de dólares estão alocados nessas estratégias; na BlackRock, o volume administrado supera US$ 300 bilhões, aproximadamente o dobro do registrado no ano anterior. Ao mesmo tempo, a concentração em poucos vencedores aumenta o risco ativo.

O que deve ser observado

O ponto central será observar se a migração para empresas beneficiárias da IA continuará, especialmente com o Nasdaq 100 em recorde e um ambiente marcado por inflação elevada e tensões no Oriente Médio. Também merece atenção a disputa entre fundos mútuos e ETFs: dados citados pela Bloomberg indicam que a estrutura do ETF pode influenciar os fluxos mesmo quando o desempenho do gestor não supera o índice.

LEITURA ARK

A mudança da BlackRock não representa, por si só, um sinal de compra ou venda. Ela oferece uma leitura sobre a maturação do tema: investidores parecem avaliar simultaneamente desempenho, categoria, concentração e formato do produto. Para acompanhar esse mercado, vale separar o entusiasmo pela IA dos mecanismos que efetivamente direcionam o capital, como carteiras-modelo e ETFs.