O Banco Central Europeu pode elevar os juros em dezembro pela terceira vez desde o início da guerra no Irã. Ante Zigman, membro do Conselho do BCE, afirmou que a inflação de outubro aumentou e tornou o próximo ajuste mais provável.
O que aconteceu
Em Opatija, na Croácia, Zigman disse que existe uma “chance bastante grande” de os juros subirem na reunião de dezembro. O comentário reforça sinais de outros dirigentes em favor de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de depósito, na última reunião de política monetária de 2026. De acordo com a fonte, os preços ao consumidor avançaram para um ritmo equivalente ao dobro da meta de 2% do BCE. Zigman, porém, não antecipou decisões para 2027. Ele afirmou que ainda é cedo para avaliar quais medidas serão necessárias, destacando a incerteza sobre a trajetória dos preços de energia.
Por que isso importa
A fala aumenta a visibilidade de um cenário de política monetária mais restritiva na Europa, justamente quando a inflação está muito acima do objetivo oficial. Uma alta em dezembro elevaria pela terceira vez desde o início da guerra no Irã o custo de captação na região, reforçando a pressão sobre crédito, empresas e consumidores. Ao mesmo tempo, a queda recente do petróleo pode aliviar parte desse impulso inflacionário, caso se sustente. O contraste entre inflação elevada e energia mais barata torna a próxima decisão especialmente dependente dos dados.
O que deve ser observado
O foco estará na confirmação, ou não, do aumento de 0,25 ponto percentual em dezembro e na comunicação sobre 2027. Também será importante acompanhar a inflação de serviços e o comportamento dos preços de energia. Zigman disse que o petróleo caiu quase 20% nos últimos dias, mas ressaltou que ainda não está claro se esse movimento persistirá ou se haverá uma nova surpresa no mercado energético.
O sinal de Zigman desloca o debate imediato para a probabilidade de uma alta em dezembro, mas não oferece uma trajetória definida para 2027. A combinação de inflação acima da meta e petróleo em queda cria forças opostas para o BCE: a primeira favorece juros mais altos; a segunda pode reduzir a pressão futura. Para os mercados, a leitura central é de maior sensibilidade aos próximos dados, não de um calendário já determinado.
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