O Banco Central Europeu avalia como colocar dinheiro de banco central em redes blockchain. Para Isabel Schnabel, a mudança poderia modernizar a política monetária, a gestão de garantias e a oferta de liquidez — mas o desenho da infraestrutura ainda não foi definido.
O que aconteceu
Membro do Conselho Executivo do BCE, Isabel Schnabel afirmou que levar o dinheiro de banco central para a blockchain preservaria sua função como base das liquidações e permitiria usar a programabilidade dos registros distribuídos. Nesse contexto, programabilidade significa fazer o dinheiro se mover automaticamente quando determinadas condições são cumpridas. Contratos inteligentes poderiam criar novas instalações operacionais e alterar imediatamente parâmetros como juros, exigências de garantias e condições de acesso. O BCE também trabalha em versões de varejo e atacado do euro digital. No mês seguinte, pretende lançar o projeto Pontes, que conectará plataformas de tecnologia de registros distribuídos aos serviços Target existentes. O projeto Appia deve ter um desenho de longo prazo em 2028.
Por que isso importa
A proposta desloca a discussão sobre blockchain do campo de pagamentos privados para a própria infraestrutura de execução monetária. A tokenização poderia elevar a eficiência dos mercados e reduzir a fragmentação das infraestruturas financeiras europeias. Também envolve uma questão de desenho institucional: um registro único, ou poucos registros grandes, tende a reduzir problemas de interoperabilidade, mas pode aumentar desafios de resiliência, inovação e governança. O debate ocorre enquanto pagamentos digitais avançam e autoridades europeias discutem a dependência de empresas americanas de pagamentos e o avanço de stablecoins atreladas ao dólar.
O que deve ser observado
Os próximos pontos de observação são o lançamento do Pontes, o desenvolvimento do Appia e a definição de onde o dinheiro de banco central seria emitido ou integrado. A alternativa pode envolver um registro operado pelo próprio banco central ou a conexão entre reservas e ativos tokenizados em um ou mais registros compartilhados. A escolha dependerá do equilíbrio entre interoperabilidade, segurança, inovação e governança.
A iniciativa sinaliza que a tokenização pode alcançar a camada operacional da política monetária, e não apenas ativos ou meios de pagamento. O ponto central ainda é estrutural: o BCE precisa escolher como conectar sua infraestrutura atual a redes distribuídas sem criar novas vulnerabilidades. Pontes e Appia serão importantes para medir se a ambição de modernização se traduz em uma arquitetura funcional para o sistema financeiro europeu.
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