O Banco Central Europeu provavelmente elevará os juros em dezembro, afirmou Joachim Nagel, presidente do Bundesbank. A piora da perspectiva para a inflação, impulsionada por custos de energia mais altos, reduziu o espaço para uma nova pausa.
O que aconteceu
Nagel disse que a projeção-base para os preços, apresentada em setembro, já considerava uma nova alta de juros e que o cenário se deteriorou desde então. Repetidos aumentos nos custos de energia podem contaminar outros preços e, posteriormente, pressionar as demandas salariais. A decisão será tomada com base em novas projeções econômicas, que deverão cobrir o período até 2029 e serão divulgadas antes da reunião de dezembro. O BCE manteve os juros na semana anterior, depois de duas altas desde o início da guerra do Irã. Ainda assim, integrantes do Conselho do BCE sinalizaram que novas medidas podem ser necessárias.
Por que isso importa
A inflação da zona do euro deve ter alcançado 4% no último mês, o dobro da meta do BCE, enquanto o núcleo, que exclui itens voláteis como energia, é estimado em 2,5%. O risco central é que o choque energético deixe de ser temporário e passe a afetar salários e preços de forma mais ampla. Nagel afirmou que ainda há poucos sinais desses efeitos de segunda rodada, mas a persistência da energia cara aumenta essa possibilidade. Economistas esperam uma alta final em dezembro; investidores, porém, projetam aperto monetário também em 2027.
O que deve ser observado
O principal ponto de atenção será a nova rodada de projeções do BCE e a confirmação dos dados de inflação da Eurostat. Também será relevante observar se os custos de energia começam a aparecer em salários, expectativas de inflação e medidas subjacentes. Autoridades como Dimitar Radev e Peter Kazimir já indicaram que a pausa recente não deve ser interpretada como o fim das altas.
A sinalização de Nagel desloca o debate de uma pausa pontual para a duração do ciclo de aperto. O dado mais importante será a evidência de transmissão do choque energético para salários e preços, não apenas o nível atual da inflação. Se esses efeitos permanecerem limitados, a decisão poderá continuar dependente das projeções; se ganharem força, a pressão por novas altas tende a aumentar.
CONNECT