O Banco da Inglaterra deve elevar os juros de 3,75% para 4% na quinta-feira, na primeira alta em mais de três anos. A decisão é amplamente esperada, mas o tom sobre os próximos passos pode ser tão relevante quanto o movimento em si.
O que aconteceu
Uma pesquisa da Bloomberg com 35 economistas, realizada em 29 e 30 de outubro, indicou consenso pela alta para 4%. Quase 60% dos participantes esperam que sete integrantes do Comitê de Política Monetária votem a favor, enquanto dois seriam contrários; outros 24% projetam uma divisão de 6 a 3. O cenário representaria uma mudança importante em relação à reunião de setembro, quando apenas três membros apoiaram uma elevação. A comunicação dos dirigentes também se tornou mais favorável ao aperto, segundo um modelo da Bloomberg Economics que acompanha suas declarações.
Por que isso importa
A decisão ocorre com pressões inflacionárias ainda persistentes. Economistas esperam que o banco revise para cima suas projeções de inflação para este e o próximo ano, além de elevar a previsão de crescimento do PIB neste ano e reduzir a estimativa de desemprego. A inflação britânica pode superar 4% no início do próximo ano, aproximadamente o dobro da meta, de acordo com uma avaliação citada na reportagem. Isso aumenta a importância do equilíbrio entre conter preços e preservar a atividade.
O que deve ser observado
O principal foco será a orientação para as próximas reuniões. A expectativa é de uma comunicação pouco compromissada, indicando que novas altas continuam possíveis, mas dependerão da evolução dos dados. Também será importante observar o tamanho da maioria pela elevação e as revisões nas projeções de inflação, crescimento e desemprego.
O mercado parece ter incorporado a alta imediata; por isso, a reação pode depender mais da trajetória sinalizada pelo Banco da Inglaterra. Uma votação mais ampla a favor do aumento e projeções de inflação mais elevadas reforçariam a percepção de continuidade, enquanto uma orientação cautelosa manteria aberta a possibilidade de um ciclo curto. O ponto central será distinguir uma resposta isolada de uma mudança persistente na política monetária.
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