O Banco do Canadá deve manter sua taxa de juros em 2,25% nesta quarta-feira, no sétimo congelamento consecutivo. A decisão ocorre enquanto tarifas americanas pressionam a recuperação econômica e podem elevar a inflação.
O que aconteceu
Economistas e mercados esperam que o conselho liderado por Tiff Macklem preserve a taxa em 2,25%. Os Estados Unidos elevaram para 50% as tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, incluindo equipamentos elétricos, plásticos e madeira compensada. O governo de Mark Carney planeja responder com tarifas sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro. O conflito adiciona riscos opostos à política monetária: pode reduzir o crescimento, mas também encarecer bens e serviços. A inflação cheia chegou a 3% em ritmo anual, impulsionada pela energia, enquanto as pressões subjacentes permanecem próximas da meta de 2%. Economistas do Royal Bank of Canada avaliam que o quadro aumentou o desconforto do banco, mas não o suficiente para tirá-lo da pausa.
Por que isso importa
A decisão expõe o dilema de um choque potencialmente estagflacionário: tarifas podem enfraquecer a atividade justamente quando medidas de retaliação pressionam os preços. A Oxford Economics calcula que as novas tarifas canadenses, combinadas ao apoio governamental a setores afetados, podem acrescentar 0,5 ponto percentual à inflação ao consumidor no próximo ano, em relação à projeção-base. Ao mesmo tempo, a economia mostrou força no segundo trimestre, com crescimento anualizado de 3,3%, mais de 180 mil empregos criados entre maio e julho e desemprego no menor nível em dois anos. A combinação reduz a urgência de cortes, mas torna aumentos prematuros igualmente arriscados.
O que deve ser observado
O mercado acompanhará a coletiva de Macklem e da vice-governadora Carolyn Rogers, marcada para 10h30 de Ottawa. O foco será a avaliação sobre tarifas, inflação e investimento empresarial. Em pesquisa da Bloomberg, 63% dos analistas esperam uma alta no primeiro semestre de 2027, enquanto quase dois terços reduziram suas previsões para o investimento empresarial após os acontecimentos comerciais recentes. O rendimento do título canadense de dez anos estava em torno de 3,74%, 36 pontos-base acima do início de julho.
O caso canadense mostra como conflitos comerciais podem complicar a leitura tradicional dos juros: a mesma política que ameaça a demanda pode elevar preços. Por enquanto, a resiliência do PIB e do mercado de trabalho sustenta a manutenção da taxa, enquanto a inflação cheia e as tarifas limitam o espaço para uma postura mais acomodatícia. Para mercados globais e o câmbio, a comunicação do Banco do Canadá será tão relevante quanto a decisão em si, especialmente se confirmar que o banco exige evidências mais fortes antes de se mover em qualquer direção.
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