Andrew Bailey manteve a avaliação de que o Reino Unido ainda não enfrenta efeitos relevantes de segunda rodada na inflação. A mensagem veio antes da decisão de juros do Bank of England em 17 de setembro, enquanto os mercados passaram a apostar em altas futuras.
O que aconteceu
Em entrevista à Bloomberg TV durante a conferência de Jackson Hole, o governador do Bank of England afirmou que os efeitos secundários da inflação continuam relativamente moderados e que o enfraquecimento do mercado de trabalho ajuda a conter a pressão. Bailey disse que o banco pode acompanhar a situação por enquanto e evitou indicar uma trajetória fixa para os juros. Em 30 de julho, ele havia integrado a maioria de seis votos que manteve a taxa inalterada e advertido que o BOE não estava caminhando necessariamente para uma alta. Desde então, os mercados passaram a precificar uma elevação de 0,25 ponto percentual ainda neste ano e outra até a primavera. Os gilts de curto prazo tiveram desempenho inferior ao dos títulos americanos.
Por que isso importa
A mensagem de Bailey coloca em contraste duas forças na economia britânica. De um lado, o choque de energia associado à guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã elevou o risco de uma disseminação global da inflação. O índice de preços ao consumidor do Reino Unido subiu pela primeira vez desde março, enquanto as expectativas de inflação das famílias para os próximos 12 meses chegaram a 3,9% em agosto, quase o dobro da meta do BOE. De outro, empresas estão reduzindo postos, as vagas estão no menor nível em cinco anos e o crescimento dos salários no setor privado continua desacelerando. Esse equilíbrio é central para a precificação de gilts e libra.
O que deve ser observado
A decisão de 17 de setembro será observada em busca de sinais sobre a persistência do choque de energia e sua transmissão para salários e preços. Também importa acompanhar novos dados de emprego, vagas e remuneração. Bailey afirmou que o BOE avaliará a política reunião a reunião, em vez de oferecer orientação antecipada. Catherine Mann, que votou por uma alta em julho, alertou ainda para os efeitos da maior exposição do Reino Unido ao dólar.
O quadro combina uma inflação corrente mais desconfortável com sinais domésticos de desaceleração. A avaliação de Bailey reduz a urgência aparente de reagir imediatamente, mas não elimina o risco de que energia e expectativas alterem o comportamento de salários e preços. A divergência entre a comunicação do BOE e as apostas do mercado torna a próxima decisão especialmente relevante para a curva de juros britânica. Até lá, a qualidade dos dados de trabalho e a evolução do choque energético devem pesar mais do que uma promessa de trajetória, que o próprio banco prefere evitar.
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