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Fed e BCE revelam o peso da inflação mas o mercado já reduziu as apostas de alta

As atas de setembro do Federal Reserve e do Banco Central Europeu devem expor como a inflação influenciou as decisões de juros. O contraste é que dados recentes de emprego nos Estados Unidos e o estresse financeiro na França reduziram a expectativa de novas altas imediatas.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

As atas de setembro do Federal Reserve e do Banco Central Europeu devem expor como a inflação influenciou as decisões de juros. O contraste é que dados recentes de emprego nos Estados Unidos e o estresse financeiro na França reduziram a expectativa de novas altas imediatas.

O que aconteceu

Os dois bancos centrais elevaram suas taxas de referência nas reuniões de setembro e divulgarão, nos próximos dias, os registros das discussões. A ata do Fed, prevista para quarta-feira, pode indicar que vários dirigentes ainda viam necessidade de ao menos mais uma alta até o fim do ano, diante da preocupação com as tendências subjacentes de preços. Desde então, a criação de empregos nos Estados Unidos veio abaixo do esperado, o crescimento dos salários perdeu força e revisões do indicador de inflação preferido pelo Fed apontaram preços um pouco mais moderados. Além disso, Philip Jefferson e John Williams sinalizaram pouca urgência para uma nova ação, levando investidores a reduzir as apostas de alta. Na zona do euro, a inflação acelerou em setembro, em grande parte por custos de energia ligados à guerra, mas o mercado vê baixa probabilidade de alta do BCE em outubro.

Por que isso importa

As atas ajudarão a separar a preocupação estrutural com a inflação da disposição imediata de apertar a política monetária. Nos Estados Unidos, um mercado de trabalho menos vigoroso pode limitar a pressão por novos aumentos, mesmo com o crescimento econômico ainda sólido. Na Europa, a inflação mais alta convive com estresse nos mercados de títulos, especialmente na França, onde a fragmentação parlamentar ampliou as dúvidas sobre orçamento e déficit. Essa combinação torna a comunicação dos bancos centrais relevante para juros, câmbio e renda fixa, embora o texto das atas não determine sozinho os próximos passos.

O que deve ser observado

O foco estará nas justificativas dos dirigentes do Fed e do BCE e em qualquer indicação sobre o calendário de novas altas. Também entram no radar a reunião do Fed em 27 e 28 de outubro, os dados de inflação da zona do euro e a evolução do estresse nos títulos franceses. Na semana, decisões de cerca de uma dúzia de bancos centrais incluem aumentos esperados na Índia, no Quênia e no Peru.

LEITURA ARK

O quadro combina inflação ainda desconfortável com sinais de menor urgência monetária. Para a leitura dos mercados, a questão central será se as atas preservam uma inclinação claramente restritiva ou reconhecem que atividade, emprego e condições financeiras já recomendam cautela. O resultado pode alterar expectativas de juros, mas não substitui a observação dos próximos dados econômicos e das comunicações oficiais.