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Ata do Fed revela união pela alta de juros, mas outubro já perdeu força

A ata da reunião de setembro do Federal Reserve mostrou consenso amplo em favor de uma alta de juros para conter riscos de inflação. Ainda assim, sinais emitidos depois do encontro indicam que a instituição pode esperar antes de voltar a apertar a política monetária.

Fonte utilizadaBloomberg ↗

A ata da reunião de setembro do Federal Reserve mostrou consenso amplo em favor de uma alta de juros para conter riscos de inflação. Ainda assim, sinais emitidos depois do encontro indicam que a instituição pode esperar antes de voltar a apertar a política monetária.

O que aconteceu

Os 19 dirigentes do Fed apoiaram a decisão de setembro, que elevou a faixa da taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4%. Foi o primeiro aumento desde julho de 2023 e ocorreu em meio a sinais de aceleração da economia. Muitos participantes defenderam a medida para proteger a economia contra uma intensificação das pressões inflacionárias, enquanto outro grupo justificou a alta com base em sua avaliação do cenário econômico. A ata afirmou que a maioria considerava provável uma nova elevação até o fim do ano. O documento também registrou que as condições financeiras continuavam favoráveis ao crescimento, apesar da alta dos rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo, da valorização expressiva das ações e dos spreads corporativos estreitos.

Por que isso importa

O conteúdo reforça que a inflação continua sendo o principal risco acompanhado pelo banco central e que parte dos dirigentes considerava a taxa anterior pouco ou apenas levemente restritiva. Isso ajuda a explicar por que os mercados chegaram a apostar em uma nova alta já em outubro. Depois da reunião, porém, o vice-presidente Philip Jefferson e o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disseram que havia tempo para avaliar a economia. A probabilidade precificada de uma alta em outubro caiu de cerca de 70% para aproximadamente 20%.

O que deve ser observado

O próximo teste será o dado de preços ao consumidor previsto para 14 de outubro, que pode reacender a defesa de uma alta imediata. Também será importante observar os votos na reunião de 27 e 28 de outubro: dirigentes que já haviam defendido uma alta em julho podem voltar a discordar caso a maioria prefira manter a taxa. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos, sensíveis à política do Fed, recuaram mais de 10 pontos-base na semana, para perto de 4,8%.

LEITURA ARK

A mensagem combina firmeza e flexibilidade. A ata mostra uma coalizão unida para retirar parte do estímulo e manter a inflação sob pressão de vigilância, mas as falas posteriores reduziram a urgência percebida pelos mercados. O ponto central agora não é apenas se haverá outra alta, mas se os dados de preços e a leitura sobre a atividade serão suficientes para transformar a disposição registrada na ata em uma nova decisão.