Os mercados passaram a atribuir quase 70% de probabilidade a uma nova alta de juros pelo Federal Reserve no fim de outubro. A decisão ocorreria poucos dias antes das eleições legislativas americanas e pode levar a taxa para uma faixa de 4% a 4,25%.
O que aconteceu
As apostas nos contratos futuros de Fed funds aumentaram após uma sequência de dados que apontou maior vigor da economia americana. Uma pesquisa da S&P Global indicou que a atividade empresarial atingiu, em setembro, o maior nível em cinco anos, enquanto as vendas no varejo também vieram fortes. Dirigentes do Federal Reserve reforçaram a preocupação com a inflação, que permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos. Segundo a fonte, as projeções divulgadas após a reunião de setembro mostraram apoio amplo a pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual neste ano. A próxima reunião está marcada para 27 e 28 de outubro.
Por que isso importa
A eventual elevação sinalizaria uma política monetária mais restritiva justamente antes das eleições legislativas, embora o Fed afirme não considerar o calendário eleitoral em suas decisões. O movimento afetaria as condições de crédito e poderia testar a percepção de independência da instituição. Também há um dilema de comunicação: quando o mercado precifica uma alta com muita convicção, não confirmá-la pode gerar dúvidas sobre o compromisso do banco central com a inflação de 2%. Ao mesmo tempo, apertar demais pode aumentar o custo econômico de levar a inflação de volta à meta.
O que deve ser observado
Os próximos indicadores serão decisivos. O Fed ainda receberá o relatório mensal de empregos e a leitura de setembro do índice de preços ao consumidor. A decisão dependerá de a atividade continuar forte, de a inflação mostrar resistência e da avaliação dos dirigentes sobre a credibilidade da política monetária. O descompasso entre as expectativas dos mercados e a orientação oficial também merece atenção.
O mercado já incorporou uma probabilidade elevada para a alta de outubro, reduzindo o espaço para uma surpresa sem impacto nos preços dos ativos. De acordo com a fonte, parte dos economistas vê o movimento como uma decisão de firmeza da política, mais do que como resposta a uma deterioração imediata. Para acompanhar o cenário, o ponto central será a combinação entre inflação, emprego e comunicação do Fed, sem transformar a precificação atual em certeza.
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