As ações americanas continuam à frente das europeias, apesar de uma queda na avaliação do S&P 500. O desconto europeu parece atraente, mas uma eventual virada depende menos dos múltiplos e mais da redução do risco político.
O que aconteceu
O S&P 500 teve uma redução de 10% em seu múltiplo preço-lucro desde o início do ano, ainda assim superando as bolsas europeias. A principal explicação é a expectativa de crescimento mais forte dos lucros das empresas americanas: analistas consultados pela LSEG projetam um avanço superior ao dobro do previsto para companhias europeias. O cenário, porém, não é uniforme. Empresas do continente contam com impulso de gastos em defesa e transição verde, enquanto os ganhos corporativos de longo prazo associados à inteligência artificial nos EUA permanecem incertos. Na Europa, confiança do consumidor e produção industrial mostraram sinais recentes de melhora.
Por que isso importa
A diferença de valuation pode ser maior do que parece quando comparadas empresas com ritmos semelhantes de expansão. Um estudo citado pela análise encontrou múltiplos preço-lucro algumas vezes superiores para companhias americanas que projetam crescimento de vendas entre 2% e 8%. Isso sugere que ações europeias podem continuar relativamente baratas. O desconto, contudo, reflete riscos concretos: possíveis deteriorações fiscais em Itália, Espanha e França, eleições previstas para o próximo ano e a possibilidade de impostos extraordinários sobre determinados setores. Segundo a análise, a Europa precisa reduzir o risco político para que suas bolsas superem as americanas.
O que deve ser observado
O mercado deve acompanhar a evolução da produção industrial e da confiança do consumidor europeias, além das discussões fiscais nos países mais endividados. Também será relevante observar se eleições e propostas de impostos extraordinários aumentam a percepção de risco para empresas. Nos EUA, tarifas e o déficit fiscal de 2026, que já alcançou US$ 1,8 trilhão no período citado, podem pesar sobre a avaliação de negócios.
A leitura central é de contraste entre preço e confiança. As ações europeias aparecem descontadas em relação às americanas, mas o desconto não é, por si só, um catalisador: ele incorpora dúvidas sobre política fiscal, regulação e previsibilidade. Ao mesmo tempo, a vantagem de crescimento dos EUA pode perder força se os benefícios da inteligência artificial não se confirmarem nos resultados corporativos. A comparação exige separar valuation, crescimento esperado e risco político, sem transformar a diferença atual em sinal automático de compra ou venda.
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